Merkel defende manutenção de sanções à Rússia

Em primeira visita à Polônia desde eleição do atual governo, chanceler alemã afirma que não houve avanços na resolução do conflito ucraniano. Premiê polonesa apoia declaração.Em Varsóvia, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, defendeu nesta terça-feira (07/02), ao lado da primeira-ministra polonesa, Beate Szydlo, a manutenção das sanções europeias à Rússia devido aos pequenos avanços no processo de paz do conflito na Ucrânia. Esta foi a primeira visita oficial da líder alemã ao país desde a eleição do governo populista conservador, em 2015. "A situação continua, como antes, insatisfatória, [o acordo de] Minsk não foi implementado e, por isso, as sanções não podem ser revogadas", destacou Merkel, apoiada por Szydlo, que acrescentou que a atual política em relação a Moscou será mantida caso a Rússia não cumpra sua parte. O Acordo de Minsk, firmado em 2015 com a intermediação de Alemanha e França, visava estabelecer a paz no conflito da Ucrânia, que se acirrou em 2014, depois de a Rússia anexar a península da Crimeia. Moscou apoia a insurgência dos separatistas no leste ucraniano. Em resposta a esse apoio, a União Europeia (UE) impôs sanções econômicas à Rússia em 2014. As sanções visam, principalmente, bancos estatais russos, a importação e exportação de armamento, além de bens relativos à indústria russa de petróleo e gás. Para a revogação, os europeus exigem o cumprimento do Acordo de Minsk. Antes do encontro com a premiê polonesa, Merkel conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. Ambos pediram um cessar-fogo imediato na Ucrânia e expressaram preocupação com o recente acirramento do conflito. Segundo o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, a chanceler pediu a Putin que use a sua influência junto aos rebeldes. Parceria entre Alemanha e Polônia Em entrevista conjunta, Merkel e Szydlo ressaltaram a importância de aprofundar os laços entre os dois países e a necessidade de aprimorar a União Europeia. "Tenho certeza que uma boa parceria entre a Alemanha e a Polônia é necessária para o sucesso do projeto europeu", destacou a líder polonesa. "Polônia e Alemanha têm um grande papel para as mudanças que estão acontecendo na UE", acrescentou. Merkel destacou que ambos os países são a favor de um maior controle das fronteiras europeias e expressou cautela em relação às demandas por mudanças na UE, alertando para o risco da formação de "clubes exclusivos" dentro do bloco. Apesar de destacar os pontos em comum, as líderes expressaram também diferenças. Merkel falou do processo da Comissão Europeia contra a Polônia por causa de mudanças nas regras de funcionamento do Tribunal Constitucional Federal, adotadas pelo atual governo e que representam uma ameaça à independência da Justiça. A chanceler disse ter ouvido de Szydlo que a Polônia irá responder aos questionamentos da Comissão Europeia e lembrou de sua infância na Alemanha comunista. "Desta época, sabemos a importância de sociedades plurais e também o quão importantes são um judiciário e uma imprensa independentes, pois isso era o que faltava", acrescentou. Já Szydlo criticou os planos de construção de um gasoduto da Rússia para a Alemanha, que passaria por Polônia e Ucrânia. A premiê disse que o país não aceitará a obra. A visita de Merkel visa alcançar uma base comum com a Polônia sobre o futuro da União Europeia, que enfrenta mudanças, com a saída do Reino Unido do bloco, e ataques verbais do presidente americano, Donald Trump. CN/rtr/ap/dpa/efe

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