"Os dinossauros tiveram um pouco de azar"

Conor Dillon (ca)

Cientista que estuda extinção dos dinossauros afirma que não foi poeira levantada, mas enxofre liberado pelo impacto de um meteorito que esfriou a Terra e contribuiu para a sentença de morte dos "lagartos terríveis$escape.getQuote().Um meteorito de cerca de 10 quilômetros de diâmetro caiu sobre a atual província de Yucatán, no sul do México, há cerca de 66 milhões de anos, provocando um período de frio e trevas intensas, o que teria levado à morte de grande parte da fauna e da flora terrestres, incluindo os dinossauros ("lagartos terríveis", em grego). A cratera formada pelo impacto é conhecida como Cratera Chicxulub. Após o impacto, o enxofre presente abundantemente naquela região foi liberado na atmosfera, onde se transformou em aerossóis de sulfato, provocando um período de frio e trevas, explica a cientista Julia Brugger, que trabalha em sua tese de doutorado no Instituto Potsdam de Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha, sobre a extinção dos dinossauros. "Os dinossauros tiveram um pouco de azar quando o meteorito caiu naquele local. Se houver um impacto no futuro, talvez ele não seja dessa forma. Nem todos os lugares do planeta contêm tanto enxofre", afirmou Brugger em entrevista à DW. DW: É verdade que a morte dos dinossauros se deve ao meteorito que caiu sobre a Terra e liberou muita poeira no ar, provocando a morte das plantas e, em consequência, dos dinossauros? Julia Brugger: Nos últimos anos, algumas pesquisas mostraram que não houve muita poeira, ou poeira do tamanho certo, lançada no ar. Mas houve enxofre. Na atmosfera, o enxofre se transforma em aerossóis de sulfato. Eles podem esfriar a Terra e bloquear a luz. Qual foi a sequência dos eventos? Um meteorito de 10 quilômetros de diâmetro se choca contra a Terra. E depois? No curto prazo houve provavelmente um terremoto, tsunamis e incêndios. Isso é algo que não se pode explorar com o nosso modelo climático. Depois houve um resfriamento muito intenso. E essa é uma reação muito rápida. Os dinossauros praticamente não tinham mais luz chegando à Terra já no ano seguinte ao choque do asteroide, eles tinham apenas 2% da luz que chegava antes do impacto. Noite durante um ano inteiro. Sim, quase não havia luz. Então tudo era muito escuro. E muito frio. Sim, mas a reação do sistema climático sempre vem um pouco mais tarde. Houve então o primeiro ano quase sem luz solar, que é aquele logo após o impacto, mas o ano mais frio foi o terceiro, porque o sistema climático precisa de algum tempo para reagir a esse processo. Nesse terceiro ano, qual era a temperatura da Terra? Antes do impacto, a Terra era um pouco mais quente do que é atualmente, pois durante o Cretáceo Superior, há 66 milhões de anos, tinha-se uma concentração de CO2 de cerca de 500 ppm [parte por milhão], que é mais elevada do que a atual. A temperatura média girava em torno de 19°C. Ela esfriou então para cerca de 8°C negativos. Alguns vídeos sobre a queda do meteorito mostram o asteroide atingindo a Terra e toda aquela matéria – poeira, sujeira, etc. – sendo lançada na atmosfera, onde começa a se incendiar. Então tudo fica tão quente que os dinossauros simplesmente queimam até a morte. É seguro dizer que não foi isso o que aconteceu? Acho que isso aconteceu de forma localizada. Talvez num raio de mil quilômetros ao redor do lugar onde o meteorito atingiu a Terra. Mas os dinossauros não viviam ali sozinhos. O que observamos foi uma extinção em massa que não inclui somente os dinossauros, mas também muitas outras formas de vida. E isso foi global. Isso acontece porque os aerossóis de sulfato se distribuem globalmente de forma muito rápida. Então se pode dizer que os dinossauros queimaram até a morte e também morreram de frio? Sim. Aquele asteroide em particular continha bastante enxofre? Ou o enxofre ocasionou algo que também vai acontecer no próximo impacto? O asteroide não continha enxofre, mas atingiu um alvo com grande quantidade desse material. E isso é algo especial. Os dinossauros tiveram um pouco de azar quando o meteorito caiu naquele local. Se houver um impacto no futuro, talvez ele não seja dessa forma. Nem todos os lugares do planeta contêm tanto enxofre.

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