Opinião: G20 e a defesa da globalização

Christoph Hasselbach (cn)

Presidência alemã do G20 se impôs grandes objetivos, entre eles lutar por um mundo interconectado. Soa óbvio, mas, em tempos de Trump, é uma tarefa mais necessária do que nunca, afirma o jornalista Christoph Hasselbach."Criar um mundo interconectado": esse é o slogan da presidência alemã do G20, cujo símbolo é o nó direito náutico, no qual laços do mesmo tamanho se entrelaçam e, assim, apoiam-se mutuamente. Um símbolo muito apropriado. O governo alemão se impôs grandes objetivos durante a sua presidência no G20: uma globalização benéfica para todos, sustentabilidade na indústria e na relação com o meio ambiente, prevenção de conflitos, combate à pobreza. Pode parecer vago e pomposo para alguns, mas onde mais caberiam esses objetivos se não no G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, que, juntas, abrigam dois terços da população mundial e são responsáveis por 85% da produção econômica. "Criar um mundo interconectado" soa banal à primeira vista: claro que o mundo é interconectado, e claro que governos agem para criar algo. Mas, nos tempos atuais, a frase não é mais tão óbvia. A eleição de Donald Trump para presidente dos EUA e tudo que aconteceu e foi dito desde então são uma rejeição a uma interconexão do mundo. Ao observar suas políticas migratória, de alianças e comercial, pode-se até mesmo dizer que Trump deseja cortar ele mesmo um pouco desses laços. Os participantes do encontro de ministros do Exterior em Bonn se concentraram quase exclusivamente na atuação do novo secretário de Estado americano, Rex Tillerson. Com sua ênfase nos "interesses e valores" americanos, Tillerson infelizmente confirmou a rejeição ao multilateralismo. O ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, que também é novo no cargo, destacou, porém, que "todos aqui falaram se posicionaram a favor da cooperação multilateral". Gabriel evitou responder à pergunta se Tillerson estava incluído nessa afirmação. Evitar que um convidado passe vexame faz parte da diplomacia. Mas a mensagem foi clara. Gabriel, conhecido antigamente por sua inconstância e declarações grosseiras, foi um bom anfitrião. Ele contrapôs, a um pensamento de segurança exclusivamente em categorias militares, um conceito de segurança amplo para o nosso tempo de crises, do qual também faz parte a prevenção por meio de uma política climática e de desenvolvimento inteligente – um projeto oposto ao do governo Trump. O encontro do G20 provavelmente não impressionou nem a Tillerson em Bonn nem a Trump em Washington. Mas o lado americano voltou a prejudicar si mesmo nesses dois dias, por exemplo com sua política para a Rússia. Mesmo depois de conversar com Tillerson em Bonn, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, não sabe qual é a posição americana. Primeiro, Trump e Tillerson, dois nomes ligados a Moscou, falam em aproximação. Depois Trump exige que a Rússia devolva a Crimeia. Se isso fosse discernimento, poderia-se estar aliviado com uma certa capacidade de aprendizado. Mas pode ser também a simples continuação de um ziguezague imprevisível. Os demais membros do G20 podem pelo menos estar felizes por terem, com a Alemanha, um país especialmente previsível e constante na presidência do G20, apesar de as possibilidades de ação serem muito limitadas. O slogan "criar um mundo interconectado" pode soar óbvio, mas hoje é mais necessário do que nunca.

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