Cidade alemã cancela evento político com ministro turco

Prefeito de Gaggenau, no sul da Alemanha, alega falta de capacidade para receber comício para população de origem turca. Impasse ocorre em momento de tensões diplomáticas entre Berlim e Ancara.Em meio a tensões diplomáticas, a cidade alemã de Gaggenau proibiu nesta quinta-feira (02/03) um planejado evento político que contaria com a presença do ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag. As autoridades locais alegaram motivos de segurança. "Partimos do princípio de que a situação poderia se tornar perigosa demais", disse o prefeito da cidade no estado de Baden-Württemberg, Michael Pfeiffer. O salão, as vagas de estacionamento e os acessos não teriam capacidade de acomodar o grande número de visitantes aguardados na noite desta quinta-feira. Segundo o partido turco AKP, do presidente Recep Tayyip Erdogan, tratava-se de um evento de campanha no qual o ministro buscaria apoio para a introdução do sistema presidencial na Turquia, a ser decidida num referendo constitucional marcado para 16 de abril. Oficialmente, o evento havia sido definido como uma assembleia de constituição da sede local da União dos Democratas Euro-Turcos (UETD, na sigla original), uma organização favorável ao AKP. A Alemanha tem a maior população de origem turca fora da Turquia, e cerca de 1,4 milhão poderão votar no referendo. O prefeito de Gaggenau afirmou que o cancelamento do evento não foi discutido com outras autoridades políticas do país, mas se tratou de uma decisão da cidade, de cerca de 30 mil habitantes. Tensões diplomáticas A presença de Bozdag no evento gerou críticas na Alemanha. O líder do partido A Esquerda, Bernd Riexinger, afirmou que o governo alemão não pode permitir que alguém vá à Alemanha para "buscar apoio para a criação de uma ditadura". Na semana passada, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, esteve em Oberhausen, no oeste da Alemanha, para fazer propaganda a favor da reforma constitucional. Erdogan também estaria considerando visitar o país em março para promover o referendo. Nos últimos dias, a prisão na Turquia do jornalista teuto-turco Deniz Yücel, correspondente do Die Welt, acirrou as tensões diplomáticas entre Berlim e Ancara, sendo duramente criticada por governo, políticos e intelectuais alemães. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, exigiu a liberdade do jornalista. LPF/dpa/afp

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