Temer escolhe Aloysio Nunes para Itamaraty

Jean-Philip Struck

Senador tucano vai ocupar vaga de José Serra, que pediu demissão alegando motivos de saúde. Novo ministro das Relações Exteriores também foi citado em delação de empresário preso na Lava Jato.O presidente Michel Temer indicou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) para chefiar o Ministério das Relações Exteriores. O convite foi formalizado nesta quinta-feira (02/03). Nunes vai assumir a vaga que era ocupada até a semana passada por outro senador tucano, José Serra, que pediu demissão alegando motivos de saúde. A entrada de Nunes no ministério deixa vaga a posição de líder do governo no Senado, que vinha sendo ocupada por ele desde junho do ano passado. A posse do novo ministro deve ocorrer na semana que vem, junto com a do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR). Suspeitas Tal como seu antecessor no cargo de ministro, Nunes foi citado na delação de um empresário preso pela Operação Lava Jato e é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeita de crime eleitoral. O empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, declarou que Nunes recebeu 500 mil reais da sua empresa para a sua campanha ao Senado em 2010. Destes, 300 mil foram contabilizados oficialmente e 200 mil entraram via caixa dois. O empresário afirmou ainda que as doações eram pagamentos de propina para obtenção de contratos com a Petrobras. Nunes nega que tenha recebido dinheiro ilegal. Trajetória Nascido em 1945, Nunes é advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em ciência política e economia política pela Universidade de Paris. Hoje um tucano, Nunes tem um passado revolucionário. Durante o regime militar (1964-1985), militou na Aliança Libertadora Nacional (ALN), o grupo armado de orientação marxista fundado por Carlos Marighella. Nunes chegou inclusive a atuar como motorista do líder guerrilheiro e tomou parte em ações armadas como um assalto a um trem pagador no interior de São Paulo em 1968. Depois disso, permaneceu no exílio até 1979. Ao retornar, ingressou no PMDB. Pelo partido, foi deputado estadual e federal e chegou a ocupar o cargo de vice-governador na gestão de Antônio Fleury (1991-1994). Em 1992, perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo. Em 1997, deixou o PMDB e ingressou no PSDB. Com os tucanos na Presidência, ocupou o cargo de Ministério da Justiça por menos de quatro meses entre 2001 e 2002. Depois disso, voltou à Câmara como deputado federal. Próximo de José Serra, Nunes ocupou o cargo de secretário durante os mandatos do colega de partido como prefeito de São Paulo (2005-2006) e posteriormente governador do estado (2007-2010). Em 2010, foi eleito senador por São Paulo com mais de 11 milhões de votos. Em 2014, foi indicado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo também tucano Aécio Neves, que acabou sendo derrotada por Dilma Rousseff e Michel Temer. No Senado, comandou a Comissão de Relações Exteriores. Dias após o impeachment de Dilma Rousseff ter passado na Câmara, Nunes foi uma das primeiras pessoas a defender no exterior Temer das acusações de "golpe" que estavam sendo difundidas pelo PT. Em um encontro em Washington, disse que o "golpe" havia sido "a corrupção da Petrobras".

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