Argentina aprofunda investigações da Lava Jato

Em reunião, procuradores e ONG Transparência Internacional debatem medidas para coordenar inquéritos sobre conexões locais do escândalo de corrupção. Odebrecht teria pagado 35 milhões de dólares em propina no país.A procuradora-geral da Argentina, Alejandra Gils Carbó, se reuniu com o presidente da Transparência Internacional (TI), José Ugaz, em Buenos Aires, para coordenar uma investigação sobre conexões locais do escândalo de corrupção apurado pela Operação Lava Jato no Brasil. Segundo o Ministério Público Fiscal divulgou nesta sexta-feira (03/03), participaram ainda do encontro, que ocorreu nesta quinta-feira, diversos procuradores e membros de ONGs ligadas à Transparênia. Em 1º de junho, deve ocorrer a primeira troca de informações entre autoridades argentinas e brasileiras. Leia mais: A expansão internacional da Lava Jato De acordo com o representante da Transparência na Argentina, Hugo Wortman, o caso da Odebrecht pode ter se expandido para a Argentina através de consórcios empresariais criados para a disputa de licitações, nas quais a empreiteira brasileira seria encarregada de subornos. Wortman acrescenta que o pagamento de propinas por empresários argentinos a funcionários brasileiros para obter obras públicas no Brasil também é investigado. Além da investigação local, a reunião abordou também a necessidade de mecanismos de proteção a procuradores que trabalham neste tipo de caso. A ampla dimensão internacional do escândalo se tornou conhecida no final de 2016, após a revelação do Departamento de Justiça americano de que a Odebrecht admitiu ter pagado cerca de 788 milhões de dólares em propinas em 12 países da América Latina e África, incluindo o Brasil, em mais de cem projetos – na maioria dos casos, obras públicas – realizados entre 2001 e 2014. Segundo a apuração americana, na Argentina, a empreiteira brasileira fez pagamentos ilícitos no valor total de 35 milhões de dólares a intermediários ligados a ao menos três projetos de infraestrutura. Os subornos aconteceram entre os anos de 2007 e 2014 e geraram ganhos em contratos de 278 milhões de dólares no país. CN/efe

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