Cidade alemã é alvo de ameaça após cancelar evento político

Prefeitura de Gaggenau é evacuada após ameaça de bomba, motivada por cancelamento de um comício em que estaria presente o ministro da Justiça da Turquia. Tensões entre Berlim e Ancara se acirram.A cidade alemã de Gaggenau recebeu uma ameaça de bomba na manhã desta sexta-feira (03/03), levando à evacuação do prédio da prefeitura. Na véspera, o município cancelou um evento políticoque teria a presença do ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, alegando motivos de segurança. "Recebemos uma ameaça de bomba por telefone às 7h30", informou Dieter Spannagel, um funcionário da prefeitura de Gaggenau, à agência de notícias AFP. "A pessoa que ligou mencionou o cancelamento do evento com o ministro da Justiça da Turquia como uma razão", acrescentou. "Não sabemos quão seriamente precisamos encarar essa ameaça", afirmou inicialmente o prefeito Michael Pfeiffer à emissora de televisão alemã n-tv. Após buscas no prédio com ajuda de cães farejadores, a polícia afirmou que nenhum objeto suspeito foi encontrado, e a prefeitura e seus arredores foram liberados. A cidade de 30 mil habitantes, que fica no estado de Baden-Württemberg, anunciou na quinta-feira a suspensão do evento com Bozdag, afirmando que o salão, as vagas de estacionamento e os acessos não teriam capacidade de acomodar o grande número de visitantes aguardados naquela noite. O prefeito de Gaggenau frisou que a decisão, tomada pela cidade sem discussão com outras autoridades do país, seguiu preocupações com a segurança e não teve qualquer motivação política. Oficialmente, o evento havia sido definido como uma assembleia de constituição da sede local da União dos Democratas Euro-Turcos (UETD, na sigla original) – uma organização favorável ao AKP, partido do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. De acordo com a legenda, o ministro Bozdag viria ao comício para buscar apoio à introdução do sistema presidencial na Turquia, que daria mais poderes a Erdogan e que será decidida num referendo constitucional marcado para 16 de abril. A Alemanha tem a maior população de origem turca fora da Turquia, e cerca de 1,4 milhão de pessoas nessa situação poderão votar no pleito. Relações complicadas O cancelamento, assim como a suspensão de uma reunião entre Bozdag e o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, e a rejeição da cidade de Colônia em receber o ministro turco da Economia, Nihat Zeybekci, representam novos entraves nas já estremecidas relações entre Berlim e Ancara. Em reação, a Turquia chamou para consulta o embaixador alemão Martin Erdemann. O porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, classificou o episódio em Gaggenau como um "escândalo", dizendo que os "motivos foram pouco convincentes". "Decisões desse tipo revelam a verdadeira face daquele que publicamente aparenta, sempre que possível, dar lições à Turquia sobre democracia e liberdade de expressão", afirmou Kalin. Já o ministro do Exterior turco, Mevlüt Çavusoglu, criticou as autoridades de Gaggenau, sugerindo que a decisão se trata de uma "prática sistemática" da Alemanha para enfraquecer Ancara. "Eles não querem que a Turquia faça campanha porque eles estão trabalhando pelo 'não' [no referendo]. Eles querem minar uma poderosa Turquia", afirmou Çavusoglu a repórteres. EK/afp/efe/dpa/ots

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