Esposa de Fillon quebra silêncio sobre empregos fictícios

Candidato à presidência da França enfrenta pressão por escândalo de supostos cargos falsos para familiares. Esposa diz que executava "tarefas variadas" como assessora, e Fillon pede desculpas a apoiadores por "erro$escape.getQuote().A esposa do candidato conservador à presidência da França, François Fillon, quebrou neste domingo (05/03) o silêncio sobre o escândalo de supostos empregos fictícios para familiares que abalou a campanha eleitoral do político. Em entrevista publicada pelo Le Journal du Dimanche, Penelope Fillon disse que executava "tarefas muito variadas" como assistente parlamentar do marido, recomendando-o que mantenha sua candidatura "até o fim". Leia mais: Aumenta pressão para que Fillon deixe corrida eleitoral Esta foi a primeira vez que Penelope falou publicamente sobre o caso, revelado pelo jornal satírico Le Canard Enchaîné em janeiro. Ela alegou fazê-lo por iniciativa própria, e não por motivos políticos, tendo como objetivo acabar com os rumores. Quanto à suspeita de que foi contratada em empregos fictícios pelo marido e também pelo deputado Marc Joulaud entre 1998 e 2013, sendo remunerada com dinheiro público, ela afirmou que fazia um trabalho real. "Meu papel era ajudar na relação do eleito com o povo. Eu me encarregava dos e-mails, junto com a secretária, preparava para o meu marido notas e fichas sobre as manifestações locais, fazia uma espécie de revista da imprensa local, o representava em manifestações, relia seus discursos." Ela afirma ter respondido a todas as perguntas dos investigadores quando foi interrogada sobre o assunto no mês passado, e que confia na Justiça e teria entregado documentos para provar o trabalho exercido. "São e-mails com anotações que provam que passaram por mim; trocas de e-mails com outros colaboradores. Quem guarda documentos desse tipo por dez, 15 ou 20 anos?", disse a esposa de Fillon, ao especificar que a maior parte das notas que fazia para Fillon não foram guardadas. Questionada se não poderia ter feito tudo isso sem ter sido paga – ela recebeu 500 mil euros brutos de dinheiro público –, argumentou que o marido, como deputado, "necessitava que alguém fizesse essas tarefas muito variadas" e que, se não fosse ela, outra pessoa teria que ser paga para isso. Penelope também negou que tenha sido fictício o emprego de colaboradora literária que teve na publicação La Revue des Deux Mondes, propriedade de um milionário amigo do marido. Ela disse ter fornecido aos investigadores "dez notas" de críticas de livros que entregou, das quais duas foram publicadas, tendo recebido 900 mil euros pelo trabalho. Os legisladores franceses têm permissão para empregar familiares, mas os investigadores estão examinando que trabalho exatamente cabia à esposa de Fillon, depois que veio à tona que ela não possuía nem mesmo um cartão de acesso ao edifício da Assembleia Nacional. Além da esposa, Fillon teria empregado dois filhos em cargos fictícios. Futuro da candidatura Sobre a continuidade do marido na campanha eleitoral, Penelope disse confiar em Fillon e "no que quer fazer pela França", pois acredita que "vale a pena": "Ele é o único candidato que tem a experiência, a visão, o projeto e a determinação necessária para comandar a França." Num comício em Paris neste domingo, Fillon pediu a seus apoiadores que "nunca desistam da luta", sem indicar se pretende permanecer na corrida eleitoral. Diante de dezenas de milhares nas imediações da Torre Eiffel, Fillon reconheceu ter cometido um "erro" ao contratar a esposa como assistente parlamentar. Ele pediu desculpas pelo escândalo de empregos fictícios, mas disse ter certeza de que sua inocência será provada. O diretor de campanha e o porta-voz do candidato abriram mão do cargo nesta semana, após uma série de deserções. Alguns membros do próprio partido, Os Republicanos, pediram que Fillon deixe a corrida eleitoral, com o ex-primeiro-ministro Alain Juppé se dispondo a assumir a candidatura. Pesquisas recentes apontam que Fillon, antes favorito para derrotar a candidata de extrema direita Marine Le Pen, poderia ser eliminado já no primeiro turno do pleito presidencial marcado para 23 de abril. Le Pen e o centrista Emmanuel Macron se enfrentariam no segundo turno. LPF/efe/afp

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