Manifestações pelo mundo marcam Dia Internacional da Mulher

Dos EUA à Índia, mulheres vão às ruas defender seus direitos e questionar temas como desigualdade e violência de gênero. Greve geral é convocada em vários países. No Brasil, movimentos condenam reforma da previdência.O Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quarta-feira (08/03), foi marcado por protestos, marchas e paralisações em todo o mundo. Mulheres em vários países da América Latina e Europa foram às ruas trazer à tona temas como a desigualdade e a violência de gênero. No Brasil, o movimento Marcha Mundial das Mulheres convocou protestos em dezenas de cidades, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo. Nas ruas, as brasileiras condenaram a violência contra mulher e a reforma da previdência e trabalhista e ainda defenderam a descriminalização do aborto. Na capital paulista, a marcha saiu da Praça da Sé, mas houve manifestações em vários pontos da cidade. Uma delas chegou a fechar os dois sentidos da avenida Paulista. No vão do Masp, mulheres com cartazes e rostos pintados atenderam a um chamado internacional para uma greve geral. Em Paris, milhares de mulheres se reuniram na Praça da República, num protesto dedicado à romancista turca Asli Erdogan, proibida de deixar a Turquia enquanto enfrenta um processo na Justiça por suposta propaganda terrorista. A escritora pode ser condenada à prisão perpétua. Em Roma, o dia foi celebrado com assembleias, atos e greves em diversos setores públicos e privados, passando por transporte, educação e saúde. Centenas de mulheres se reuniram em frente ao famoso Coliseu, demandando igualdade salarial e mais cargos de chefia no mundo corporativo. Também houve protestos em Madri, onde cerca de dez mil manifestantes foram à Praça de Cibeles, em frente ao prédio da prefeitura, dando especial ênfase para as vítimas da violência doméstica. Em Moscou, um grupo de ativistas feministas foi detido após protestar dentro do complexo fortificado do Kremlin, com cartazes pelo fim do patriarcado. "Feminismo é nossa ideia nacional", dizia um deles, segundo a imprensa local. O 8 de Março é um feriado nacional na Rússia, mas é geralmente comemorado de forma mais tradicional, como presenteando as mulheres com flores. As ucranianas, por sua vez, tentaram combater essa ideia. Em Kiev, cerca de mil pessoas foram às ruas clamar pelas origens feministas da data. "Desde o início, foi um dia para os direitos das mulheres, não um dia para flores", disse uma manifestante à agências de notícias AFP. Em Varsóvia, milhares de polonesas se reuniram em frente à sede do governo, com cartazes que diziam "Meu corpo, minha escolha" e "O aborto é um direito da mulher", em protesto contra as propostas do governo de restringir acesso a anticoncepcionais e endurecer leis relativas ao aborto. Em apoio, atos de solidariedade ocorreram em pelo menos 49 países nesta quarta. Manifestantes também foram às ruas na Índia, onde a desigualdade entre os direitos de mulheres e homens ainda é alarmante. Em frente ao Ministério das Mulheres e do Desenvolvimento Infantil, em Nova Délhi, estudantes condenavam, por exemplo, o toque de recolher imposto às mulheres no país. Argentina, México, Turquia, Austrália, Bangladesh e Indonésia também registraram grandes protestos neste Dia Internacional da Mulher. "Dia sem Mulheres" Em Washington, centenas de pessoas, em sua maioria mulheres vestindo vermelho, se reuniram em frente à Casa Branca em protesto contra as políticas do presidente Donald Trump acerca do direito feminino. "Trump tem que sair" e "Isso é uma democracia", gritavam os manifestantes. Os organizadores da Marcha das Mulheres, que levou cerca de três milhões de pessoas às ruas em janeiro em protesto contra Trump, convocaram para esta quarta-feira o chamado Dia sem Mulheres, pedindo para que as trabalhadoras tirem o dia de folga e mostrem sua força econômica na sociedade. O manifesto, assinado por feministas históricas como Angela Davis e Nancy Fraser, inspirou mulheres em todo o mundo, levando a paralisações em mais de 50 países. Nos EUA, o protesto obrigou o fechamento de vários distritos escolares em estados como Virgínia, Maryland e Carolina do Norte, porque suas funcionárias decidiram aderir à greve. EK/afp/ap/efe/rtr/ots

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