Merkel faz apelo por unidade europeia

Antes de reunião com líderes do bloco, chanceler federal afirma que Alemanha só vai prosperar se Europa também for bem. Sobre Erdogan, ela diz que comparações com o nazismo precisam parar.Em pronunciamento no Parlamento alemão nesta quinta-feira (09/03), a chanceler federal Angela Merkel relembrou, pouco antes da conferência dos líderes da União Europeia, a história de sucesso do bloco europeu e alertou que o Brexit – a saída do Reino Unido da UE após decisão em referendo – deve servir como alerta. Ela mencionou também a questão da imigração e o recente acirramento das tensões diplomáticas entre seu país e a Turquia, aliado-chave na contenção do fluxo de refugiados em direção à Europa.. Merkel disse que a reunião em Bruxelas deveria tratar de temas econômicos, mas, citando como exemplo a crise dos refugiados e o Brexit, assegurou que outros temas também serão discutidos. Ao mencionar a atual relutância de alguns países do Leste Europeu em ceder liberdades nacionais em nome do projeto da UE, Merkel disse que a União pode progredir sem os Estados-membros. A Alemanha, afirmou, pode prosperar "apenas se a Europa estiver bem". Merkel fez elogios ao Tratado de Livre Comércio e Investimentos entre a UE e o Canadá (Ceta, na sigla em inglês) e pediu que a Europa evite isolar-se do resto do mundo. Numa referência indireta à postura adotada pelo presidente americano, Donald Trump, a chanceler deixou claro que a UE se defenderá contra medidas injustas de protecionismo. Merkel avaliou de modo critico a atual política europeia para os refugiados: "Não há dúvida que fizemos progressos, mas o sistema de concessão de refúgio da UE precisa ser reformado." Tensões com a Turquia A chanceler mencionou as polêmicas declarações feitas recentemente pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre seu país e Berlim, ele acusou a Alemanha de adotar "práticas nazistas" após o cancelamento de eventos políticos turcos em várias cidades alemãs sobre o referendo da reforma constitucional proposta por Ancara, que visa estabelecer o regime presidencialista na Turquia, ampliando os poderes do presidente. Merkel afirmou que tais declarações são tão fora de propósito que é difícil comentá-las. Os comentários de Erdogan "não podem ser justificados", afirmou. "As comparações com o nazismo geram apenas sofrimento. Isso precisa parar." Ela ainda fez críticas às restrições à liberdade de imprensa na Turquia, acrescentando que a Alemanha fará todo o possível pela libertação do jornalista teuto-turco Deniz Yücel, correspondente do jornal alemão Die Welt preso em Istambul, acusado por Erdogan de ser agente da Alemanha e membro do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). A chanceler ressaltou que não é do interesse da Alemanha romper relações com a Turquia, mas acrescentou que seu país deve manter seus valores essenciais, da maneira que achar apropriado. Ela expressou o desejo de assegurar as liberdades da comunidade turca no país, que vive tensões internas entre os apoiadores do PKK e da extrema direta. Os turcos, disse Merkel, são parte do país e contribuem para a prosperidade da Alemanha.. RC/dw

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