Polônia ameaça unidade da UE após reeleição de Tusk

Em Bruxelas para discutir futuro do bloco, líderes europeus apresentam planos de reforma após saída do Reino Unido. Polônia, que se opôs à reeleição de Tusk na véspera, é contra a "UE de diferentes velocidades$escape.getQuote().Em meio a tensões provocadas por posições contrárias da Polônia, chegou ao fim nesta sexta-feira (10/03) a cúpula de dois dias entre líderes da União Europeia (UE) em Bruxelas. Varsóvia, que se nega a reconhecer a reeleição do ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk para a presidência do Conselho Europeu, recusou-se a assinar a declaração final da conferência. "A Polônia não tem medo de chantagem", afirmou a primeira-ministra Beata Szydlo ao término da cúpula. Ela se referia a especulações de que subsídios europeus ao país poderiam ser cortados por conta de sua oposição, o que teria sido sugerido pelo presidente da França, François Hollande. "Tenho que aceitar a chantagem de um presidente que tem 4% de aprovação e que em breve não será mais presidente?", argumentou a política, cujo país é o maior beneficiário desses subsídios. Em Bruxelas, países como Alemanha e França propuseram planos para uma reforma da UE após a saída do Reino Unido do bloco, mencionando uma Europa de "diferentes velocidades". Szydlo, no entanto, anunciou que Varsóvia nunca apoiaria tais planos, que também sofrem oposição de outras nações do Leste Europeu que temem ser deixadas para trás. "Rejeitamos qualquer debate sobre uma Europa de diferentes velocidades", afirmou a primeira-ministra polonesa em Bruxelas. Ela disse que os países mais antigos da União Europeia não podem se sentir no direito de impor soluções e que é importante que os governos nacionais tenham mais controle sobre a UE, porque isso elevaria a legitimidade do bloco. Segundo o modelo da união em diferentes velocidades, contido no rascunho debatido nesta sexta-feira pelos líderes europeus, alguns países avançariam mais rapidamente do que outros na integração, dependendo do tópico. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, defendeu a proposta, afirmando que o modelo já é realidade, como na zona do euro ou no espaço Schengen. O chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, negou que o plano possa criar uma "cortina de ferro" entre países do leste e oeste. "[A proposta] está sendo vista como a introdução de uma nova linha divisória, um novo tipo de cortina de ferro entre leste e oeste. Essa não é a intenção", afirmou. A cúpula em Bruxelas, além de ter eleito o presidente do Conselho Europeu, serviu para os líderes de 27 países debaterem os rumos do bloco nos próximos anos, diante da saída do Reino Unido da União Europeia. O resultado deveria ser explicitado numa declaração de intenções para a cúpula de Roma, no fim de março, quando serão celebrados os 60 anos dos Tratados de Roma, base da atual UE. A ideia inicial era que a declaração desta sexta-feira fosse uma demonstração de unidade para o encontro em Roma, o que acabou não acontecendo por conta da posição da Polônia. O país foi o único a votar contra a reeleição de Tusk, classificada por Szydlo como uma "imposição de Berlim". AS/EK/afp/dpa/rtr

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