Trump elimina resquícios do governo Obama na Justiça

Presidente pede a saída de todos os procuradores do país apontados por seu antecessor. Decisão acelera processo de troca e contempla retirada de juristas responsáveis por alguns dos casos mais importantes dos EUA.O governo Donald Trump deu mais um passo para eliminar vestígios da gestão anterior no Departamento de Justiça, ao pedir nesta sexta-feira (10/03) a renúncia imediata de 46 procuradores nomeados por Barack Obama. A Justiça americana se divide territorialmente em 94 distritos, que contam com um procurador nomeado pelo presidente por recomendação de um senador. É tradição que os procuradores ponham seu posto à disposição do novo presidente. Muitos dos nomeados por Obama deixaram seu cargo após a posse de Trump em 20 de janeiro. Mas 46 deles se mantiveram na ativa até agora, inclusive Preet Bharara, de Manhattan, famoso por investigações sobre corrupção e por processar mais de cem executivos de Wall Street. "O procurador-geral pediu aos 46 procuradores cuja nomeação depende do presidente que apresentem suas demissões para assegurar uma transição uniforme", indicou em um breve comunicado a porta-voz do Departamento de Justiça, Sarah Isgur Flores. Ao contrário de Trump, o governo de Obama permitiu que os procuradores nomeados pelo seu antecessor, George W. Bush (2001-2009), se mantivessem em seu posto até que se designasse uma pessoa para substituí-los. Segundo o governo Trump, até que os novos procuradores apontados pelo presidente sejam confirmados, os procuradores de carreira ocuparão seu lugar e se dedicarão a investigar e processar acusados de crimes violentos. A decisão, considerada abrupta pela imprensa americana, é anunciada após Trump demonstrar várias vezes irritação com constante vazamento de informações de dentro de órgãos oficiais, inclusive da Casa Branca. Nomes de peso Entre os demitidos está Robert L. Capers, responsável pelo caso na Justiça americana contra o traficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán. O procurador serviu nos últimos 17 meses no cargo, no qual substituiu Loretta Lynch, nomeada por Obama em 2015 procuradora-geral dos EUA. Por enquanto, a chefia da procuradoria do Distrito Leste de Nova York, com sede no Brooklyn, será ocupada pela interina Bridget M. Rohde. Este escritório conduz a acusação contra "El Chapo", extraditado aos EUA no último dia 19 de janeiro e que pode ser condenado à prisão perpétua. Além disso, a procuradoria federal do Brooklyn se ocupa de outros processos muito conhecidos como o da corrupção dentro da Fifa e de vários assuntos de terrorismo. A decisão do Departamento de Justiça, comandado por Jeff Sessions, inclui também o procurador do Distrito Sul de Nova York, o midiático Preet Bharara, que há alguns meses aceitara uma proposta de Trump para continuar no posto. Bharara, cujo escritório maneja casos de terrorismo internacional, corrupção, narcotráfico e fraudes das bolsas de valores em Wall Street, e que levou à prisão vários executivos, foi designado para o posto em agosto de 2009 por Obama. RPR/rtr/efe/ots

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