Milhares protestam contra reformas do governo Temer

Jean-Philip Struck

Brasileiros voltam a sair às ruas para protestar contra o governo, desta vez em manifestações promovidas pela esquerda. Maior ato ocorre na Avenida Paulista, onde ex-presidente Lula critica reforma da Previdência.As ruas de cidades brasileiras voltaram a ser palco de protestos nesta quarta-feira (15/3), desta vez contra as reformas trabalhista e previdenciária promovidas pelo governo do presidente Michel Temer. Após meses de protestos esparsos e isolados pelo país, sindicatos e movimentos sociais conseguiram promover um movimento nacional unificado para expressar repúdio ao pacote do governo. Os atos fizeram parte do Dia Nacional de Paralisações e ocorreram em 19 estados. A reforma trabalhista vai gerar empregos? Veja quatro visões diferentes O que está em jogo na reforma da Previdência Várias capitais, como São Paulo, registraram paralisação do transporte público após trabalhadores do setor aderirem. São Paulo também registrou o maior ato do dia. Os manifestantes se reuniram na Avenida Paulista, tradicional palco de protestos antigovernamentais. Segundo os organizadores, 80 mil pessoas participaram do ato na avenida. Municípios da região metropolitana da capital paulista também registraram protestos. A Polícia Militar não divulgou estimativas de participantes. Professores da rede estadual de São Paulo também promoveram uma paralisação. O Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) estimou que 70% dos docentes aderiram. O governo estadual, no entanto, afirma que só 3% resolveram parar. Professores também paralisaram as aulas em Mato Grosso e no Paraná. Capitais como Curitiba, Recife e Florianópolis também registraram paralisações no transporte público. No Rio Grande do Sul, manifestantes chegaram a bloquear uma rodovia em Novo Hamburgo. Muitas pessoas se reuniram no centro de Porto Alegre para protestar. Em Brasília, mais de 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a sede do Ministério da Fazenda. Eles deixaram o local dez horas depois. Fotografias mostram que eles picharam paredes com slogans contra o governo. No Rio de Janeiro, a manifestação terminou em confronto com forças de segurança. Uma professora ficou ferida. Além das reformas trabalhista e da Previdência, a pauta dos protestos também incluiu reivindicações específicas de algumas categorias, como a dos professores e trabalhadores do transporte público, que protestaram por reajustes salariais e mudanças do plano de carreira. Alguns sindicatos e movimentos de esquerda também aproveitaram a ocasião para pedir a saída de Temer. O protesto da Avenida Paulista também serviu de palanque para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ensaia uma nova candidatura à Presidência em 2018, discursar. O petista disse que o Congresso quer "enfiar goela abaixo do povo brasileiro uma reforma que vai impedir a aposentadoria de milhões". Ele também voltou a dizer que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu um golpe. Já Temer evitou comentar os atos desta quarta-feira e se limitou a defender seu pacote de reformas. "Nós apresentamos um caminho para salvar a Previdência do colapso, para salvar os benefícios dos aposentados de hoje e dos jovens que se aposentarão amanhã", disse.

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