"Túmulo de Jesus" restaurado é apresentado em Jerusalém

Durante décadas discordâncias entre diferentes confissões impediram obras em edícula que se acredita abrigar sepultura, na Igreja do Santo Sepulcro. Segundo líderes religiosos, reabertura é um presente para a humanidade.O recém-restaurado santuário que abriga aquele que se crê ser o túmulo de Jesus Cristo, em Jerusalém, foi apresentado nesta quarta-feira (22/03), após meses de delicados trabalhos, e a tempo de receber os visitantes para a Páscoa. Líderes religiosos em trajes tradicionais, entre os quais o patriarca ortodoxo de Constantinopla Bartolomeu 1º, participaram da cerimônia ecumênica diante da elaborada edícula. Com sua cúpula em forma de cebola, a pequena capela em cujo interior a sepultura sagrada se encontra, sob uma placa de mármore, foi erguida em 1810. Erigida no século 12, a Igreja do Santo Sepulcro, na parte histórica de Jerusalém, conta entre os locais mais sagrados da cristandade. Lá Jesus haveria sido crucificado e sepultado, para depois ressuscitar – razão por que os cristãos ortodoxos a denominam Anastasis, Igreja da Ressurreição. Centenas de milhares de fiéis e turistas peregrinam todos os anos até a edificação composta de numerosas pequenas capelas, igrejas e anexos. Agora anjos pairam sobre a entrada e uma figura do Cristo se alça aos céus, acima da qual estão gravados salmos e preces. "Este é um momento único para a cristandade", comentou Antonia Moropoulou, diretora dos trabalhos de restauração. O patriarca ortodoxo grego Teófilo 3º de Jerusalém definiu a reabertura como "um presente não só para nossa Terra Santa, mas para todo o mundo". Polêmicas religiosas postergaram obras Em 1947, a capela foi reforçada com traves de aço, por ordens das autoridades do Mandato Britânico, a fim de conter os efeitos do terremoto de Jericó de 1927 e evitar o desabamento. Nas décadas seguintes a umidade e o calor das velas seguiram prejudicando o edifício. No entanto não se realizou mais nenhuma obra, pois as diversas confissões religiosas envolvidas – tanto grego-ortodoxa, armênio-ortodoxa e católica ocidental como cristãos coptas, sírios e ortodoxos etíopes – não conseguiam acordar sobre um plano comum para a restauração. Em março de 2016, por fim, em negociações altamente confidenciais em Atenas, importantes representantes das Igrejas Ortodoxa Grega, Armênia Apostólica e Católica decidiram sobre o inicio dos trabalhos de manutenção da Capela do Santo Sepulcro. Além das Igrejas, o empreendimento com custo total de 3,7 milhões de dólares, contou com numerosos patrocinadores, sobretudo da Grécia e da Rússia. O rei Adullah 2º da Jordânia contribuiu pessoalmente com 100 mil dólares. Como parte das obras, em 26 de outubro de 2016 a placa de mármore sobre o túmulo foi retirada por 60 horas, pela primeira vez em 200 anos e a terceira em toda história. A operação visou a inspeção da superfície rochosa onde, segundo a tradição, o corpo de Jesus teria sido depositado. AV/afp/kna/dpa/efe

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