Polícia já previra atentado de Berlim nove meses antes

Em aplicativo de chat, terrorista tunisiano anunciava de forma velada a intenção de ato suicida, mas autoridades estaduais ignoraram advertências de órgão de segurança. Secretário do Interior responderá a inquérito.Nove meses antes do atentado a uma feira de Natal em Berlim, com um caminhão sequestrado, a polícia alemã já previra que Anis Amri planejava um ataque suicida, noticiou o tabloide alemão Bild am Sonntag, neste domingo (26/03). Na época, o Departamento Estadual de Investigações (LKA) da Renânia do Norte-Vestfália comunicou, em carta confidencial à Secretaria do Interior do estado, a presença de indícios sólidos nesse sentido. Entre outros, o órgão citou o histórico de chat do tunisiano de 24 anos no aplicativo móvel Telegram, onde, através de eufemismos, indicava seus planos de cometer o ato. Apesar das advertências feitas em março de 2016, a Secretaria estadual do Interior decidiu que a deportação não era legalmente viável. Desde o atentado, o responsável pela pasta, o social-democrata Ralf Jäger, tem reiterado essa posição. Na próxima quarta-feira ele e outros políticos de alto escalão responderão diante de uma comissão parlamentar de inquérito. Exigências de renúncia Diante da reportagem, políticos da oposição exigem que Jäger abandone o cargo. O deputado do Partido Liberal Democrático (FDP) Joachim Stamp disse ao Bild considerar "esse memorando uma prova cabal de que o secretário do Interior falhou com suas responsabilidades". "Estas novas revelações são dramáticas", afirmou Armin Laschet, líder estadual da União Democrata Cristã (CDU). "O secretário Jäger é um risco de segurança para os cidadãos de toda a Alemanha." Em 19 de dezembro de 2016, 12 pessoas foram mortas no atentado perpetrado por Amri. Já com a deportação encaminhada, seu uso de mais de uma dezena de identidades e o atraso de sua documentação permitiram que permanecesse no país por mais 18 meses na Alemanha. Depois de escapar do país, o terrorista foi morto por policiais italianos nos arredores de Milão, quatro dias depois do crime. AV/afp,dpa

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