Paquistão anuncia construção de cerca na fronteira com Afeganistão

Islamabad diz que iniciou obra para evitar que terroristas cheguem ao solo paquistanês, em decisão que acirra tensões. Barreira deve dificultar o cotidiano de vilarejos entre os dois países.O Paquistão começou a construir uma cerca ao longo de sua fronteira com o Afeganistão com o objetivo de evitar a entrada de terroristas, afirmou nesta segunda-feira (27/03) uma fonte do governo. A decisão acirra a tensão entre ambos países. "Dados os últimos ataques terroristas e para evitar que os terroristas venham do Afeganistão, o Paquistão começou a cercar sua fronteira nas áreas de Bajour e Mohmand", disse Nafees Zakaria, porta-voz do Ministério do Exterior paquistanês. Mohmand e Bajour são duas das sete áreas tribais do noroeste do país asiático, contíguas com o Afeganistão. Elas escapam ao completo do controle do estado e servem de refúgio a membros da Al Qaeda e de facções jihadistas afegãs e paquistanesas. O porta-voz indicou que a cerca faz parte do sistema de gestão da fronteira e que a construção começou nessas zonas porque são usadas por terroristas para entrar em solo paquistanês. Zakaria não precisou quando foi iniciada a construção e nem quantos dos 2,4 mil quilômetros de fronteira serão cercados. O Afeganistão não reconhece a fronteira, conhecida como Linha Durand e criada após um acordo entre os britânicos e Cabul no século 19. Afeganistão diz que cerca não vai resolver problema Najib Danish, porta-voz do Ministério do Interior afegão, denunciou a ação, mas disse que seu governo ainda não viu sinal da obra. "Nós não vimos sinais de construção de cercas ao longo da fronteira. Isso não vai resolver o problema de terrorismo, irá apenas dividir as pessoas e não vamos permitir isso", frisou. As cercas ameaçam dificultar o cotidiano das comunidades que tradicionalmente não dão muita atenção às fronteiras. Há vilarejos que têm mesquitas e casas com uma porta no Paquistão, e a outra, no Afeganistão. Agora, eles enfrentam controles mais rígidos e são obrigados a usar pontos de passagens oficiais, que estão frequentemente sujeitos a fechamentos e atrasos. No ano passado, o levantamento de instalações fronteiriças na passagem Torkham, a principal entre ambos países, por parte do Paquistão, ressuscitou a disputa fronteiriça com uma troca de tiros, deixando seis mortos e 31 feridos e resultando no fechamento temporário da fronteira. O anúncio da construção da cerca é feito menos de uma semana depois da reabertura das principais passagens fronteiriças, fechadas durante um mês após um ataque no qual morreram 88 pessoas no sul do Paquistão. Islamabad repetiu então as acusações contra Cabul de permitir em seu território grupos insurgentes que operam em solo paquistanês, algo do qual o Paquistão é constantemente acusado por Afeganistão e Índia. FC/efe/afp

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