Cunha é condenado a mais de 15 anos de prisão

Sérgio Moro sentencia ex-presidente da Câmara pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "Não pode haver ofensa mais grave do que trair o mandato parlamentar", afirma juiz.O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foi condenado nesta quinta-feira (30/03) a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A pena terá que ser cumprida em regime fechado. A sentença contra o articulador do impeachment de Dilma Rousseff foi dada pelo juiz Sérgio Moro, em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobras, em 2011. "A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele depositou para obter ganho próprio", afirmou Moro na sentença. Segundo o juiz, a culpabilidade é elevada, pois Cunha "realizou condutas de ocultação e dissimulação, entre 2011 a 2014, quando no exercício do mandato de deputado federal". Moro diz ainda que Cunha, no período em que esteve preso, provavelmente tentou provocar "alguma espécie de intervenção indevida" a Michel Temer em seu favor na Justiça ao encaminhar perguntas, em novembro passado, e depois arrolar o presidente como testemunha. Para o juiz, esse comportamento de Cunha "apenas revela que sequer a prisão preventiva foi suficiente para fazê-lo abandonar o modus operandi, de extorsão, ameaça e chantagem". Eduardo Cunha foi preso em 19 de outubro, em Brasília. Ele está detido desde então na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Segundo a denúncia, Cunha recebeu propina de 1,3 milhão de francos suíços, mais de 4 milhões de reais no câmbio atual. Estima-se que o contrato para exploração de petróleo em Benin tenha resultado num prejuízo de mais 70 milhões de reais à estatal. Após 14 anos na Câmara, Eduardo Cunha perdeu seu mandato de deputado 12 dias depois do julgamento que resultou no afastamento de Dilma. Até sua queda, era um sobrevivente político, que sempre manteve a trajetória ascendente, apesar dos escândalos. Publicamente odiado pelo antigo governo petista, tolerado por meses pela oposição como uma figura útil no impeachment, Cunha, em alguns momentos, pareceu ser um dos poucos consensos num país polarizado: faixas contra ele eram vistas em protestos pró e contra o governo. Recentemente, se tornou um constrangimento crescente para o governo Michel Temer.

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