A Rússia na mira do terrorismo

Roman Goncharenko (md)

Até então poupada, São Petersburgo, cidade natal de Putin, entra na lista de série de ataques ocorridos no país nos últimos anos. Maioria foi obra de radicais chechenos, mas "Estado Islâmico" também é visto como ameaça.Vagões de metrô destruídos, fumaça, pessoas cobertas de sangue. As imagens registradas após a explosão no metrô em São Petersburgo, na segunda-feira (03/04), lembram as de ataques anteriores – como o ocorrido há sete anos em Moscou. Naquele fim de março de 2010, 41 pessoas morreram após a sequência de duas explosões em dois trens do metrô, ocorridas com uma hora de intervalo. As autoras foram duas mulheres-bomba, que agiram a mando de terroristas islâmicos do Cáucaso Norte. Desde meados da década de 1990, o metrô de Moscou vem sendo alvo frequente de atentados. Em 2004, a capital russa foi atingida duas vezes. Primeiro em fevereiro, quando um homem-bomba matou 41 passageiros, ao detonar explosivos em um trem entre duas estações. Em agosto, uma mulher acionou explosivos presos ao próprio corpo em uma entrada do metrô, matando oito pessoas. Na maioria dos casos, indícios levaram a radicais islâmicos do sul da Rússia, especialmente na República da Chechênia, onde Moscou travou duas guerras contra separatistas na década de 1990. Ataque à metrópole cultural Os últimos atentados com número alto de vítimas ocorreram na Rússia alguns anos atrás. Em 29 e 30 de dezembro de 2013, uma sequência de ataques chocou a cidade de Volgogrado, no sul da Rússia. Explosões em um ônibus e, menos de 24 horas depois, na estação central da cidade, mataram 34 pessoas. Antes, ocorreu em janeiro de 2011 um ataque comparável, em número de vítimas, no aeroporto Domodedovo, de Moscou. São Petersburgo, cidade natal do presidente Vladimir Putin e onde ele estava no momento do ataque, vinha sendo poupada até agora. A capital cultural da Rússia e segunda maior cidade do país foi, agora, diretamente afetada pelo mais recente grande ataque contra a Rússia. Em 31 de outubro de 2015, um avião de passageiros russo que levava turistas do balneário de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, no Egito, explodiu quando voava para São Petersburgo. Todas as 224 pessoas a bordo morreram. A responsabilidade foi assumida pela milícia terrorista "Estado Islâmico" (EI), contra a qual a Rússia está agindo militarmente na Síria. "Estado Islâmico" como ameaça A missão russa na Síria foi aparentemente o motivo do assassinato do embaixador russo na Turquia, Andrei Karlov, em dezembro de 2016. O diplomata foi baleado em uma exposição por um agente de segurança turco. O EI já ameaçou a Rússia diversas vezes com atentados, e Moscou parece levar esse risco muito a sério. O serviço secreto russo, a FSB (antiga KGB), frequentemente relata sobre prisões de suspeitos extremistas e ataques frustrados. Em novembro de 2016, foram presos dez suspeitos com conexões com o EI em Moscou e São Petersburgo. Eles supostamente planejavam ataques durante o Ano Novo. Pouco antes, as autoridades russas conseguiram impedir um atentado do EI em Nizhny Novgorod. Há poucos dias, no final de março, combatentes do EI na Chechênia atacaram uma base da Guarda Nacional da Rússia, uma unidade policial criada em 2016 e submetida diretamente ao presidente Putin. Foram mortos seis soldados e seis terroristas.

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