Greve geral desafia governo Macri

Paralisação em protesto contra medidas de austeridade atinge setores-chave da Argentina, como educação, saúde, indústria e transporte. Presidente acusa sindicatos de se comportarem como mafiosos.Os argentinos paralisaram parte do país nesta quinta-feira (06/04) com uma greve geral contra medidas de austeridade do governo Mauricio Macri. A paralisação, a primeira na atual gestão, atingiu sobretudo o setor de transportes, e houve confrontos entre manifestantes e polícia. Em Buenos Aires, quase todo o sistema de transporte público parou, praticamente somente os táxis circularam pelas ruas da capital argentina. O governo da cidade decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, a fim de incentivar os trabalhadores a comparecerem em seus postos de trabalho em seus próprios veículos. Segundo o Departamento de Aviação Civil da Argentina, a greve interrompeu 800 voos e afetou cerca de 60 mil passageiros. A Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque. A paralisação atingiu ainda fortemente setores-chave como educação, com grande parte das escolas fechadas, saúde, indústria e o bancário. "A greve é um sucesso. Demonstrou por todo o país o descontentamento com as políticas econômicas do governo", avaliou Carlos Acuna, líder da CGT. A economia argentina recuou 2,3% em 2016. Apesar da promessa eleitoral de baixar a inflação para 10% em dois anos, o índice, no primeiro ano do governo de Macri, chegou a 40%, e com ele houve uma queda no poder aquisitivo da população. A pobreza no país também vem aumentado, diferente do prometido. Quase um terço dos argentinos vive na pobreza. Macri condenou a greve e disse que a paralisação não ajuda os trabalhadores. O presidente acusou ainda os sindicatos de se comportarem como mafiosos. Confrontos Além da greve, manifestantes protestaram em várias regiões. A polícia foi acionada para controlar os piquetes e cortes de estradas que começaram a ocorrer desde a madrugada desta quinta-feira nas entradas das principais cidades do país, com níveis de tensão maiores nos acessos a Buenos Aires. Com um amplo esquema de segurança, a polícia reprimiu nesta manhã com gás lacrimogêneo um grupo de manifestantes que tinha cortado o trânsito na rota Pan-Americana, um dos principais acessos ao norte da capital. O incidente, que terminou com vários feridos e nove detidos, ocorreu depois que a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, ordenou a liberação da estrada. Bullrich pediu que a população saísse de suas casas e não se deixasse amedrontar pelas "máfias" que, segundo afirmou, querem impedir a sociedade de exercer seus direitos. "Saiam para trabalhar, de bicicleta, carro, caminhão, caminhonete, ou o que seja", sugeriu a ministra em declarações à emissora de televisão "Todo Noticias". Além do corte na Pan-Americana, diferentes grupos de manifestantes deram um nó no trânsito em áreas da capital como a Praça do Obelisco e em acessos como a ponte Pueyrredón, onde centenas de integrantes de movimentos sociais lançavam palavras de ordem contra o Executivo. CN/efe/afp

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