O que mais preocupa os jovens europeus?

Maximiliane Koschyk

Pesquisa com mais de 1 milhão de entrevistados de 35 países mostra que maioria se incomoda com injustiça social na UE, mas que não confia que o problema será resolvido através da política.É difícil definir os jovens europeus hoje em dia: eles não têm medo de Vladimir Putin e demonstram pouco respeito pelo Holocausto. Alguns acham Angela Merkel "cool", outros a veem como inimiga número um. Eles não gostam de votar, mas saem às ruas em protestos em defesa da União Europeia. Uma geração que parece difícil de descrever, mas que agora tem seus interesses, preocupações e esperanças destrinchados numa pesquisa ampla, com um milhão de jovens entre 18 e 34 anos de 35 países europeus. Eles participaram voluntariamente da pesquisa on-line encomendada pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) ao Instituto Sinus. "A participação mostra que há uma necessidade da nova geração de dizer como se sente e não deixar que os pesquisadores falem por meio de uma amostragem sobre como eles pretensamente devem ser", explica Tobias Bönte da Bayerischen Rundfunk (BR), que, em parceria com a rede de TV ZDF e com a SWR, acompanhou o projeto do lado alemão. O resultado mostra a imagem de uma Europa jovem, que se preocupa com injustiça social, mas que não confia que o problema seja resolvido através da política. Entre os entrevistados, 82% disseram que não confiam na política – 45% afirmam não confiar "de modo algum". Alemães, os mais otimistas Os jovens alemães são os mais otimistas em comparação com o restante da Europa. Na Alemanha, somente 23% dos participantes não confiam absolutamente em instituições políticas – o percentual mais baixo de todo o continente. O desemprego entre os jovens alemães ainda não é um problema grave como na Grécia, na França e na Itália – países onde pelo menos dois terços dos jovens estão decepcionados com seus líderes políticos. Apatia política não é, no entanto, um sinal de indiferença entre os jovens. Ao contrário: nove entre dez entrevistados percebem uma desigualdade crescente em seus respectivos países. Uma opinião que se confirma com todos os participantes. Na Alemanha, a preocupação com a instabilidade social é um dos medos futuros mais disseminados. Mas está enganado quem pensa que os jovens europeus não passam de uma geração de cidadãos indignados, que pretendem romper com a ordem política, atestam os pesquisadores. Eles querem se unir e mudar algo. Também nos lugares, que para ele, estão mais enfraquecidos, como as instituições políticas. Na Alemanha, 44% dos jovens têm vontade de se envolver em organizações políticas, o país mais engajado nesse aspecto. Diferente dos gregos, que com 13% são os menos interessados. Os jovens europeus estão dispostos a ir às ruas por um futuro melhor, como mostraram recentes manifestações de solidariedade. Para quem cresceu na União Europeia, o bloco é muito mais "um meio para um objetivo comum" do que um tratado de paz histórico que ganhou um prêmio Nobel: "Claro que as vantagens econômicas são consideradas, mas esse não é o projeto dos sonhos da juventude europeia", analisa Bönte. Lições das crises Também devido à apatia política, eles confiam pouco num projeto europeu e se identificam muito mais com suas origens do que com uma comunidade supranacional. Ainda assim, nem mesmo um em cada seis participantes votaria na saída de qualquer integrante da União Europeia. Eles também não estão interessados no populismo emergente: "Ficou evidente que o nacionalismo é visto, em geral, de maneira cética", afirma Bönte. Segundo os sociólogos do Instituto Sinus, apesar dos erros, a União Europeia é vista por grande parte dos jovens como algo favorável para cada um de seus países. No entanto, eles não têm a esperança de que o bloco europeu possa resolver as questões mais urgentes dos nossos tempos. Assim pensam especialmente os jovens gregos. Diante dos problemas econômicos que estão enfrentando, eles são os que mais consideram se retirar da União Europeia. Quem cresce com fronteiras abertas, aprende a aceitar melhor o outro – é possível concluir a partir do estudo em questão. Quando indagados se em tempos de grande desemprego os trabalhos não deveriam ser reservados exclusivamente para os seus conterrâneos, dois terços dos participantes se mostraram a favor da integração do mercado. De modo geral, a juventude europeia é otimista. Mais da metade dos entrevistados está positiva em relação ao futuro. Os coordenadores de pesquisas do Instituto Sinus veem esse comportamento como uma superação. "A jovem Europa cresceu em meio a muitos conflitos: o 11 de setembro de 2001, a explosão da bolha da internet, o colapso do mercado financeiro, as questões climáticas e, por fim, a crise dos refugiados", escrevem os pesquisadores. Por isso, eles sabem lidar muito bem com insegurança e crise.

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