G7 busca terreno comum na Síria

Bombardeio americano dá renovada harmonia a EUA e aliados, que tentam unificar discurso perante Assad e Moscou. Saída do ditador é cada vez mais discutida como única solução política para o conflito.Os ministros das Relações Exteriores dos países do G7 se reúnem nesta segunda-feira (10/04) na região da Toscana, na Itália, em busca de terreno comum para lidar com o ditador sírio, Bashar al-Assad, acusado de estar por trás do ataque químico que matou 89 pessoas na semana passada. O encontro entre os representantes das sete economias mais avançadas do mundo – EUA, Alemanha, França, Japão, Canadá, Itália e Reino Unido – ocorre dias após o bombardeio americano a uma base aérea síria em retaliação à utilização de armas químicas. Os diplomatas tentam encontrar pontos de consenso para pressionar a Rússia a se distanciar do regime sírio. Enquanto EUA e seus aliados culpam Assad pelo ataque, Moscou alega que a tragédia foi fruto de um erro da Força Aérea síria, que teria acertado arsenal químico rebelde. "Temos que lembrar que, não dez anos atrás, mas há 100 ou 120 dias, a preocupação era de que EUA e União Europeia estavam se afastando", disse o chanceler italiano, Angelino Alfano. Para ele, o bombardeio ordenado por Trump deu "uma renovada harmonia" ao Ocidente. Espera-se que, ao final do encontro, seja enviado um alerta à Rússia sobre seu papel na Síria, com a expectativa de que novos esforços diplomáticos possam encaminhar o fim da guerra civil no país árabe, que já dura seis anos. A julgar pelas declarações da diplomacia americana no Conselho de Segurança da ONU, a saída de Assad do poder, sempre defendida pelos EUA, virou prioridade para o governo Trump, que já deixou claro que os bombardeios às bases sírias não serão caso isolado. O chanceler britânico, Boris Johnson, cancelou a visita a Moscou programada para esta segunda. A prioridade, disse ele, é "manter o contato com os EUA" e os demais parceiros. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, vai à Rússia nesta terça-feira e, segundo Johnson, entregará "uma mensagem clara e coordenada aos russos". Segundo o ministro britânico, a mensagem é: Moscou terá que "possibilitar um acordo político na Síria e trabalhar com a comunidade internacional para assegurar que os terríveis eventos da semana passada jamais se repitam". A Rússia foi excluída do grupo dos principais países industrializados – anteriormente chamado de G8 – após a anexação da Península da Crimeia em 2014 e em razão de seu apoio aos separatistas no leste da Ucrânia.

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