Protesto põe governo Orbán sob pressão

Dezenas de milhares vão às ruas em defesa de universidade fundada por George Soros, num dos maiores protestos já feitos contra o premiê. Embate reflete insatisfação de parte da população com discurso anti-UE do governo.Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Budapeste neste domingo (08/04), num dos maiores protestos já realizados contra o governo do primeiro-ministro conservador Viktor Orbán, atualmente uma das principais vozes críticas da União Europeia. A manifestação, segundo organizadores, reuniu 70 mil pessoas em defesa da Universidade Centro-Europeia (CEU). Uma das principais instituições acadêmicas internacionais do país, ela pode ser fechada pelo governo Orbán. A universidade foi fundada e financiada por George Soros, magnata americano de origem húngara e desafeto de Orbán. Os ideais do intelectual vão de encontro aos do premiê, para quem a onda de refugiados representa uma ameaça à identidade europeia. Ao irem às ruas neste domingo, os manifestantes tentam convencer o presidente húngaro, Janos Ader, que deverá ratificar a lei nesta segunda-feira, a vetar a nova legislação. A Hungria já impôs restrições a outras entidades que defendem posições divergentes com as do governo, como ao criar leis mais rígidas para o funcionamento de ONGs no país. As novas regras têm como alvo as organizações financiadas por Soros, que há décadas doa bilhões de dólares para apoiar causas que defendem uma sociedade liberal e aberta. O primeiro-ministro acusa as ONGs do país de trabalhar em nome dos interesses do megainvestidor. A nova lei gerou críticas não só de Soros, como também de centenas de acadêmicos em todo o mundo, além dos governos dos EUA e da União Europeia (UE). A nova lei A lei aprovada pelo Parlamento húngaro na semana passada estabelece critérios mais rígidos para o funcionamento de instituições de ensino estrangeiras na Hungria, ao exigir que as entidades que recebem financiamento estrangeiro tenham sede no país de origem. O governo pretende também banir universidades cujos currículos sejam diferentes daqueles dos países onde foram criadas. A lei estabelece que deve haver um acordo entre os governos da Hungria e dos EUA para que a CEU possa funcionar, algo que as leis americanas a princípio não preveem, uma vez que o ensino fica a cargo aos estados, e não do governo federal. A obrigação de contar com um acordo intergovernamental se refere às universidades financiadas por fontes externas à União Europeia (UE), como é o caso da CEU, fundada em 1991. A Universidade é registrada no estado de Nova York, mas não tem campus nos EUA. O governo húngaro alega ainda que a CEU teria uma "vantagem injusta" porque pode emitir diplomas húngaros e também norte-americanos. A lei dá meio ano de prazo para que a instituição cumpra com os requisitos. Caso isso não ocorra, a instituição não poderá matricular novos alunos a partir de janeiro de 2018 e terá de interromper suas atividades até 2021. RC/rtr/lusa

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