G7 pede que Rússia pressione Assad, mas rejeita sanções a Moscou

Ministros das sete economias mais avançadas do mundo consideram que Moscou pode exercer papel importante no processo de paz na Síria. Grupo concorda que líder sírio deve deixar o poder para que guerra chegue ao fim.Os países do G7 instaram a Rússia nesta terça-feira (11/04) a pressionar o governo da Síria a pôr fim aos seis anos de guerra civil no país, mas rejeitaram o pedido do Reino Unido de impor novas sanções a Moscou em razão de seu apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Os ministros das Relações Exteriores das sete economias mais avançadas do mundo – EUA, Alemanha, França, Japão, Canadá, Itália e Reino Unido – afirmaram que Moscou deve mudar de atitude em relação a Assad para que haja esperança de encerrar o conflito. A guerra civil desestabilizou o Oriente Médio, levando milhões de pessoas a fugirem do país e agravando as relações entre a Rússia e o Ocidente. "A Rússia pode tomar parte nesse futuro e desempenhar um papel importante", afirmou o secretário de Estado americano, Rex Tillerson. A outra opção, segundo o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, seria manter a aliança com a Síria, Irã e com o grupo Hizbolá, "que acreditamos não servir aos interesses em longo prazo da Rússia". Após a reunião dos ministros do G7, Tillerson partiu diretamente para Moscou, onde deve se reunir com o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov. O americano leva consigo as esperanças do grupo das sete nações de um novo começo para a Síria, ainda que com poucas propostas concretas para que isso venha a ocorrer. G7 rejeita novas sanções contra Rússia O G7 culpa o regime de Assad pelo ataque com armas químicas que matou mais de 80 pessoas na Síria na semana passada. Os ministros, reunidos na região da Toscana, na Itália, apoiaram amplamente a resposta de Washington, que lançou mísseis contra a base aérea síria de onde teria partido o ataque químico. O ministro italiano do Exterior, Angelino Alfano, disse após o encontro que não houve consenso entre os países do G7 para a imposição de novas sanções à Rússia devido ao seu apoio ao regime sírio. A proposta foi apresentada durante a reunião pelo ministro do Exterior britânico, Boris Johnson. Alfano disse que seria um erro isolar a Rússia. "A posição do G7 é muito clara: apoiar as sanções existentes", impostas em razão das atividades militares russas na Ucrânia. Ele considera fundamental que Moscou facilite, juntamente com a comunidade internacional, uma transição política na Síria que possibilite derrotar o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI). "Uma derrota duradoura do Daesh (acrônimo em árabe para o EI) não pode ser alcançada sem um processo político que leve a uma transição [na Síria]", afirmou o ministro italiano. "Há agora uma janela de oportunidade para envolver seriamente a Rússia no relançamento do processo político", observou. Fim do regime Assad Os ministros do G7 concordam que Assad deve deixar o poder, mas não chegaram a um acordo sobre como e quando isso deverá ocorrer. "Está claro para todos nós que o reinado da família Assad está chegando ao fim", disse Tillerson. Os europeus, entretanto, buscam aprender as lições tiradas da queda do ex-ditador da Líbia Muammar Kadafi, apoiada internacionalmente e que acabou levando o país ao caos e resultando numa série de disputas de poder entre facções rivais. Os países do G7 ainda tentam compreender a política americana para a Síria. O objetivo inicial do governo do presidente americano, Donald Trump, era derrotar o EI no país árabe. Entretanto, o ataque químico atribuído ao regime sírio fez com que a Casa Branca mudasse seu posicionamento. As incertezas persistiram durante a reunião dos ministros, e Tillerson manteve encontros paralelos com representantes de Turquia, Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Washington espera que os poderes regionais possam contribuir no reforço da segurança e para a estabilidade na Síria uma vez que o EI seja derrotado. Coreia do Norte Apesar de o encontro ter sido dominado pela questão da Síria, os diplomatas discutiram ainda o problema da Coreia do Norte, enquanto uma frota naval americana se dirige à Península da Coreia, numa demonstração de força contra testes de mísseis balísticos de Pyongyang. O regime norte-coreano se diz pronto para reagir a "qualquer forma de guerra planejada por Washington", segundo nota publicada pela agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira. O G7 instou o país a cessar as "ações provocativas e desestabilizadoras" e a abandonar seu programa nuclear. RC/ap/lusa

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