Clima de tensão se mantém entre EUA e Rússia após reunião

Secretário de Estado americano se reúne com governo em Moscou. Líderes admitem "baixa confiança" e sinalizam disposição de diálogo, mas mantêm divergências cruciais. Rússia veta investigação da ONU sobre ataque na Síria.O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta quarta-feira (12/04), em Moscou, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que se reuniu também com o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov. O encontro ocorreu num momento de relações estremecidas entre Moscou e Washington. Em entrevista coletiva ao lado de Lavrov após a reunião, Tillerson reconheceu que existe hoje um "nível baixo de confiança entre os dois países". "As duas maiores potências nucleares do mundo não podem ter esse tipo de relação", afirmou o americano. Leia também: Putin diz que relações com os EUA pioraram após posse de Trump O ministro russo, por sua vez, declarou que, "apesar dos problemas existentes, há perspectivas consideráveis de trabalho conjunto" com o governo americano. "A Rússia está aberta ao diálogo com os Estados Unidos em todas as áreas. A história mostrou que, quando Moscou e Washington cooperam, não só os nossos povos, mas o mundo todo se beneficia com isso", afirmou Lavrov. Segundo o ministro, Putin expressou a Tillerson durante a reunião sua disposição em retomar a cooperação militar com os Estados Unidos na Síria, desde que os americanos garantam que o objetivo comum é combater o terrorismo, especialmente o grupo "Estado Islâmico" (EI). Lavrov se referia ao canal de comunicação que o governo russo mantinha com Washington para tratar da guerra no país do Oriente Médio e que foi interrompido por Moscou na semana passada. A linha de cooperação havia sido criada em 2015 para permitir a troca de informações sobre a localização de seus aviões a fim de evitar incidentes no espaço aéreo sírio. Posições no conflito sírio Em Moscou, ambos os países concordaram sobre a importância de uma investigação sobre o ataque químico em Khan Cheikhoun, na Síria, que deixou mais de 80 mortos na semana passada e ajudou a deteriorar a situação já estremecida das relações diplomáticas entre Rússia e Estados Unidos. Em retaliação às intoxicações, o presidente americano, Donald Trump, ordenou um bombardeio contra a base aérea de Shayrat, na cidade síria de Homs, por acreditar que o regime de Assad, apoiado por Moscou, foi responsável pelo ataque químico. Damasco nega e culpa a oposição. O destino do presidente sírio também continua sendo um divisor de opiniões, com cada um dos países expressando visões opostas. Tillerson afirmou que "o reinado da família Assad está com os dias contados" e que a Rússia, como aliada mais próxima do regime no conflito sírio, "tem os melhores meios de ajudar Assad a reconhecer essa realidade". Lavrov rebateu afirmando que o futuro do governo sírio é "uma das questões que Rússia e EUA enxergam de maneira diferente" e citou exemplos de países em conflito que passaram por mudanças de regime mas, segundo ele, não tiveram sucesso em resolver a crise, como Iraque e Líbia. Resolução da ONU Enquanto isso, em Nova York, a Rússia vetou nesta quarta-feira uma resolução da ONU apoiada por Washington para investigar o ataque químico contra civis na Síria. Apesar de Lavrov e Tillerson terem sinalizado a importância de um inquérito internacional sobre o caso, os dois países não foram capazes de entrar em acordo sobre o texto nas Nações Unidas. O embaixador russo, Vladimir Safronkov, disse que o momento é "inoportuno" para tal votação. O documento condenava o ataque químico de 4 de abril e destacava que os responsáveis precisam pagar pelos crimes que cometeram, mas não atribuía culpa a ninguém. A resolução exigia, por exemplo, que o governo sírio fornecesse informações sobre seus históricos de voo, além de nomes de indivíduos no comando de esquadrões de helicópteros e das bases aéreas. EK/rtr/afp/dpa/ap/efe/ots

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