STF manda investigar 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados

Investigados foram citados em depoimentos de delação premiada de ex-executivos da Odebrecht. Entre os nomes estão alguns dos principais ministros de Temer, como Eliseu Padilha e Aloysio Nunes, e presidentes do Congresso.O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin autorizou a abertura de investigação por corrupção ou caixa dois contra 8 ministros do governo federal, 3 governadores, 24 senadores e 39 deputados federais. Todos foram citados nos depoimentos de delação premiada de 78 ex-diretores da empreiteira Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo Filho também será investigado. Análise: Nova lista de Janot é teste para Temer Entrevista: "Sem delação premiada estaríamos nas trevas" Entre os investigados estão alguns dos principais ministros do governo do presidente Michel Temer, como Eliseu Padilha (Casa Civil) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), além dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira. Quase um terço dos senadores será investigado. Dos políticos alvos de abertura de inquérito, os presidentes do PSDB, senador Aécio Neves, e do PMDB, senador Romero Jucá, são os que acumulam o maior número de pedidos de investigações, cinco ao todo. Nas denúncias apresentadas ao STF, o Ministério Público Federal (MPF) diz que o tucano praticou os crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Com a abertura da investigação, os processos devem seguir para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a Polícia Federal (PF) para que sejam cumpridas as primeiras diligências contra os citados. Ao longo da investigação, podem ser solicitadas quebras de sigilo telefônico e fiscal, além do depoimento dos próprios acusados. Fachin determinou também que as citações contra nove governadores nas delações de ex-executivos da Odebrecht sejam remetidas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), tribunal responsável por julgar governadores. Fachin atendeu ao pedido de desmembramento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele autorizou a abertura de inquérito de três governadores no STF – Alagoas, Acre e Rio Grande do Norte – pois os três são citados em ações envolvendo pessoas com foro no Supremo. A decisão de Fachin havia sido assinada no dia 4 abril e estava prevista para ser divulgada após o feriado de Páscoa. No entanto, a divulgação foi antecipada para esta terça-feira depois da publicação de informações pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso à integra das decisões. Estes são os ministros, senadores e deputados que serão investigados. Ministros 1. Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República 2 - Bruno Araújo, ministro das Cidades 3 - Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores 4 - Marcos Antônio Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços 5 - Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 6 - Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional 7 - Eliseu Padilha , ministro da Casa Civil 8 - Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia Governadores 1 - Renan Filho, governador de Alagoas 2 - Robinson Faria, governador do Rio Grande do Norte 3 - Tião Viana, governador do Estado do Acre Senadores 1. Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado 2. Romero Jucá (PMDB-RR) 3. Aécio Neves (PSDB-MG) 4. Renan Calheiros (PMDB-AL) 5. Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) 6. Paulo Rocha (PT-PA) 7. Humberto Costa (PT-PE) 8. Edison Lobão (PMDB-MA) 9. Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) 10. Jorge Viana (PT-AC) 11. Lidice da Mata (PSB-BA) 12. Ciro Nogueira (PP-PI) 13. Dalírio Beber (PSDB-SC) 14. Ivo Cassol (PP-RO) 15. Lindbergh Farias (PT-RJ) 16. Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) 17. Kátia Abreu (PMDB-TO) 18. Fernando Collor de Mello (PTC-AL) 19. José Serra (PSDB-SP) 20. Eduardo Braga (PMDB-AM) 21. Omar Aziz (PSD-AM) 22. Valdir Raupp (PMDB-RN) 23. Ricardo Ferraço (PSDB-ES) 24. Antonio Anastasia (PSDB-MG) Deputados Federais 1 - Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara 2. Marco Maia (PT-RS) 3. Carlos Zarattini (PT-SP) 4. Paulinho da Força (SD-SP) 5. João Carlos Bacelar (PR-BA) 6. Milton Monti (PR-SP) 7. José Carlos Aleluia (DEM-BA) 8. Daniel Almeida (PCdoB-BA) 9. Mário Negromonte Jr. (PP-BA) 10. Nelson Pellegrino (PT-BA) 11. Jutahy Júnior (PSDB-BA) 12. Maria do Rosário (PT-RS) 13. Ônix Lorenzoni (DEM-RS) 14. Vicentinho (PT-SP) 15. Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) 16. Yeda Crusius (PSDB-RS) 17. Paulo Henrique Lustosa (PP-CE) 18. José Reinaldo (PSB-MA) 19. João Paulo Papa (PSDB-SP) 20. Vander Loubet (PT-MS) 21. Rodrigo Garcia (DEM-SP) 22. Cacá Leão (PP-BA) 23. Celso Russomano (PRB-SP) 24. Dimas Fabiano Toledo (PP-MG) 25. Pedro Paulo (PMDB-RJ) 26. Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA) 27. Daniel Vilela (PMDB-GO) 28. Alfredo Nascimento (PR-AM) 29. Zeca Dirceu (PT-SP) 30. Betinho Gomes (PSDB-PE) 31. Zeca do PT (PT-MS) 32. Vicente Cândido (PT-SP) 33. Júlio Lopes (PP-RJ) 34. Fábio Faria (PSD-RN) 35. Heráclito Fortes (PSB-PI) 36. Beto Mansur (PRB-SP) 37. Antônio Brito (PSD-BA) 38. Décio Lima (PT-SC) 39. Arlindo Chinaglia (PT-SP) Governadores citados 1 - Paulo Hartung (Espírito Santo) 2 - Geraldo Alckmin (São Paulo) 3 - Fernando Pimentel (Minas Gerais) 4- Flávio Dino (Maranhão) 5 - Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro) 6 - Raimundo Colombo (Santa Catarina) 7 - Marcelo Miranda (Tocantins) 8 - Beto Richa (Paraná) 9 - Marconi Perillo (Goiás) Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, manfestou-se por meio de sua assessoria de imprensa. "Jamais pedi recursos irregulares em minha vida política, nem autorizei que o fizessem em meu nome. Jamais recebi um centavo ilícito. Da mesma forma, sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei", disse. O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, ressaltou em nota que não disputou as eleições de 2010 e 2012. "Portanto, é leviana, mentirosa e delirante a citação de que ele teria recebido recursos da construtora Odebrecht", declarou por meio de sua assessoria. "O governador afirma que acusações infundadas como essa só contribuem para confundir, tumultuar a investigação e manchar a trajetória das pessoas de forma irresponsável". Já o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, disse que só vai se pronunciar depois que o teor das delações for divulgado. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse que não vai comentar sobre o assunto, porque não sabe do que está sendo acusado, pois foram divulgados apenas nomes em uma suposta lista. AS/abr/efe

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