United Airlines pede desculpas a passageiro expulso de voo

Presidente executivo Oscar Muñoz promete rever as políticas da companhia aérea em relação a presença de policiais, transferência de tripulação e ao "overbooking". Remoção à força arranha imagem da empresa.O diretor executivo da companhia aérea United Airlines, Oscar Muñoz, pediu desculpas nesta terça-feira (12/04) ao passageiro que foi expulso violentamente de uma aeronave da companhia em Chicago no domingo. Ele classificou o incidente como "fato terrível" e prometeu rever as políticas da empresa. "Apresento as minhas desculpas mais sinceras ao passageiro que foi desembarcado brutalmente do avião. Ninguém deve ser tratado daquela maneira", declarou Muñoz em comunicado. "Vamos rever o que não está funcionando, para que isso nunca volte a acontecer." Após rejeitar ser um dos "voluntários" escolhidos pela companhia aérea para deixar o voo, o médico David Dao foi retirado à força de seu assento por um policial e arrastado pelo corredor do avião que partiria do aeroporto O'Hare de Chicago com destino a Louisville. Os advogados do médico de origem vietnamita que vive nos EUA há alguns anos informaram que ele continua internado e que não fará qualquer declaração nos próximos dias. "Voluntário" à força Testemunhas presentes no avião relataram nas redes sociais que a companhia aérea pedira a quatro passageiros que desistissem voluntariamente do voo, pois necessitava dos assentos para acomodar seus próprios funcionários. Em troca, a United oferecia outro voo marcado para o dia seguinte, uma compensação de 400 dólares e estada de uma noite num hotel. No entanto, nenhum passageiro aceitou a oferta. Mais tarde a empresa aumentou a proposta para 800 dólares, e por fim ameaçou não decolar até que quatro pessoas deixassem a aeronave. Um casal escolhido saiu de má vontade, mas David Dao respondeu que era médico e necessitava ver seus pacientes na manhã de segunda-feira. O presidente da United Airlines prometeu um relatório sobre as políticas da companhia aérea em relação à requisição da presença da polícia, à transferência de tripulações e ao overbooking – prática de vender um serviço em quantidade maior do que a capacidade real da empresa. Num comunicado emitido na segunda-feira, Muñoz já pedira desculpas "por ter tido que reacomodar" os passageiros desse voo, acrescentando que sua empresa tentava entrar em contato com o passageiro para "resolver a situação". Crise de imagem para United O mea culpa de Muñoz contrasta com o tom adotado inicialmente pela United Airlines que, num primeiro comunicado, qualificava o passageir como "perturbador e agressivo". Em e-mail enviado aos funcionários da empresa na noite de segunda-feira, Muñoz também defendia a tripulação, argumentando que os funcionários "mantiveram os procedimentos estabelecidos" em caso de excesso de reservas – mesmo ao fazer arrastar o passageiro. Até mesmo a Casa Branca lamentou o incidente. O porta-voz Sean Spicer considerou os vídeos sobre o incidente "preocupantes", mas negou que seja necessária uma investigação federal, por se tratar de "um assunto local muito simples". O Departamento de Transporte dos EUA assegurou que averiguará se foram cumpridos os regulamentos de overbooking, e se os direitos do agredido foram respeitados. O policial que arrastou Dao foi afastado temporariamente. A United agora enfrenta uma crise de imagem, com ironias e memes espalhados por toda a internet. Além disso, o vídeo do incidente gravado por outros passageiros do voo chamou grande atenção na China, um mercado em crescimento para a empresa, e também se tornou o principal assunto no Weibo, a versão chinesa do Twitter. PV/lusa/efe

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