Temer nega participação em "negócios escusos" com a Odebrecht

Em vídeo, presidente se defende da acusação de que teria negociado propina de US$ 40 milhões com a empreiteira em 2010, conforme delatou ex-executivo. Peemedebista confirma reunião, mas diz não ter discutido valores.O presidente Michel Temer gravou um vídeo nesta quinta-feira (13/04) para se defender da acusação de que teria participado de uma reunião, durante a campanha de 2010, para acertar um pagamento milionário de propina com a Odebrecht, conforme delatou um ex-executivo da empresa. Na gravação de pouco mais de um minuto, divulgada em rede social durante a noite, o peemedebista confirma ter participado do mencionado encontro com um empresário da Odebrecht há quase sete anos, mas nega ter tratado de valores destinados a políticos com a empreiteira. "Eu não tenho medo dos fatos. Nunca tive. O que me causa repulsa é a mentira", afirma Temer no início do vídeo. "É fato que participei de uma reunião em 2010 com um representante de uma das maiores empresas do país. A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referências a valores financeiros ou a negócios escusos da empresa com políticos. Isso jamais aconteceu." O presidente diz ainda que "jamais colocaria sua biografia em risco" e destaca que "o verdadeiro homem público tem que estar à altura de seus desafios". "Minha maior aliada é a verdade, matéria-prima do poder Judiciário, que revelará toda a verdade dos fatos", conclui o líder. A delação da Odebrecht A manifestação de Temer ocorre depois da divulgação, na noite de quarta-feira, da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria no âmbito da Operação Lava Jato. O empresário afirmou que Temer comandou uma reunião em seu escritório em São Paulo, em julho de 2010, para acertar um pagamento de propina ao PMDB em troca de um contrato da Odebrecht com a Petrobras. O valor combinado, segundo Faria, foi de 40 milhões de dólares. Também teriam participado do encontro os ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na época, Temer era deputado federal e concorria como vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. Cunha e Alves, por sua vez, tentavam a reeleição à Câmara. Na quarta-feira, após o fim do sigilo das delações dos executivos da Odebrecht, o governo divulgou uma nota rechaçando as acusações. "Temer jamais tratou de valores com o senhor Márcio Faria. A narrativa não corresponde aos fatos e está baseada em uma mentira absoluta", dizia o texto. "O presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos. Nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobras, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros", concluiu o comunicado do Palácio do Planalto. Além de Temer, seis ministros de seu governo, incluindo Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência da República, foram citados em delações da Odebrecht e serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temer, por outro lado, por ser presidente da República, não pode ser investigado por atos anteriores ao mandato em exercício. EK/abr/lusa/efe/ots

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