Chefe da propina diz que Odebrecht pagou US$ 3,4 bilhões em 9 anos

Em depoimento, ex-diretor diz que recursos eram movimentados em contas no exterior e que valores caíram em 2014. Marcelo Odebrecht estima que 75% das campanhas foram financiadas ilegalmente.O ex-chefe do "departamento da propina" da Odebrecht Hilberto Mascarenhas disse, em delação premiada, que seu setor movimentou cerca de 3,4 bilhões de dólares entre 2006 e 2014. Ao Ministério Público Federal (MPF), Mascarenhas disse que os recursos eram movimentados em contas offshore em paraísos fiscais. O ex-executivo disse que alertou o então presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, sobre os valores pagos em propina, que, segundo ele, estavam muito altos. "Estava preocupado, muita gente participando das obras, e pressionei. Fui a Marcelo várias vezes e disse: não tem condição, US$ 730 milhões é bilhão [em reais]. Nenhum mercado tem essa disponibilidade de dinheiro por fora e não tem como operar isso. É suicídio", afirmou. Segundo ele, Odebrecht deu orientação de "segurar". O ex-diretor do Setor de Operações Estruturadas disse que cada executivo responsável por obras da Odebrecht podia solicitar o recurso para fazer as obras andarem. Segundo ele, os gerentes das obras recebiam bônus se atingissem as metas definidas para cada empreendimento. "Se você der aquele resultado você ganha tanto. [Então] você quer que o mundo se acabe, [mas] você quer atingir aquela meta e colocar no seu bolso o seu milhão. Se fazia qualquer coisa que tinha que fazer", afirmou. Segundo Mascarenhas, a prática foi banalizada. "Tem que tratar esse assunto como um extra, uma necessidade. Não como prazer de comprar alguém. Já estava virando um prazer de comprar [as pessoas], e isso me incomodava", disse, ao contar que os valores pagos pelo setor da propina caíram em 2014, depois que ele pressionou Odebrecht. O ex-diretor relatou ainda, que para proteger a identidade de quem recebia a propina, o responsável por determinada obra da empreiteira dava um apelido para o beneficiário do dinheiro. 75% das campanhas financiadas ilegalmente Já Odebrecht, em depoimento à Justiça divulgado neste sábado, estimou que . "Esse era um problema que tínhamos em todo o Brasil, foi criado um círculo vicioso. Eu estimo que três quartos das campanhas no Brasil eram financiadas de forma ilegal", afirmou em março a procuradores. Odebrecht, preso desde 2015 e condenado a 19 anos e quatro meses de cadeia por desvios milionários na petrolífera estatal Petrobras, afirmou que a empresa teria preferido que os pagamentos fossem oficiais e justificou os pagamentos ilegais para evitar que outros candidatos soubessem os montantes dados e pedissem mais dinheiro. O empresário deu como exemplo donativos de 2 milhões de reais ao candidato a governador do estado de Acre, Tião Viana, do PT, dos quais apenas 500 mil reais foram declarados. "Se sabem que demos 2 milhões de reais a uma candidatura a governador de Acre, imaginem a expectativa que se cria para o [candidato a] governador de São Paulo", afirmou. AS/abr/efe/ap

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