Erdogan declara vitória em referendo na Turquia

Contagem não oficial indica que "sim" obteve 51,2% dos votos, contra 48,8% para o "não". Oposição contesta resultado e diz que vai pedir recontagem de parte da urnas. Participação dos eleitores é de 86%.O "sim" venceu o referendo constitucional na Turquia, noticiaram neste domingo (16/04) emissoras de televisão e sites de notícias locais, com base em apurações paralelas. Segundo a comissão eleitoral, que ainda não divulgou o resultado oficial, a participação dos eleitores superou os 86%. Análise: O que está em jogo no referendo da Turquia Segundo a emissora CNN Türk, o "sim" recebeu 51,4% dos votos, contra 48,6% do "não", contados 99,4% dos votos. A agência de notícias estatal Anadolu divulgou que, com 99,99% dos votos apurados, o "sim" venceu com 51,2%, e o "não" obteve 48,8%. O "sim" teria vencido por pouco menos de 1,3 milhão de votos, segundo a contagem da Anadolu. Já a comissão eleitoral tem um resultado diferente: com 78,59% dos votos apurados, o "sim" liderava com 52,74%, e o "não" alcançava 47,26%. Os percentuais foram divulgados pelo partido de oposição pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP). Apesar de ainda não haver um resultado oficial, o presidente Recep Tayyip Erdogan já declarou vitória. Ele disse que se trata de uma decisão histórica e pediu aos países estrangeiros para respeitarem o resultado. "Hoje a Turquia tomou uma decisão histórica em um debate que dura 200 anos e que é uma mudança muito séria em nosso sistema administrativo", disse o presidente em um discurso em Istambul. O primeiro-ministro Binali Yildirim afirmou que o "sim" venceu e disse que o referendo marca uma nova etapa na democracia do país. "Com esta mudança, nossa economia crescerá, lutaremos com mais vigor contra o terrorismo e faremos da Turquia um país líder, com alicerces mais fortes para a democracia e o Estado de Direito", prometeu. O "não" venceu nas três maiores cidades da Turquia – Istambul, Ancara (capital) e Izmir –, bem como na zona costeira do mar Egeu e no sudeste do país, de maioria de população curda. O "sim" venceu na Anatólia e na região do Mar Negro, redutos do partido governamental AKP. Se o resultado atual se confirmar, o referendo será uma grande vitória para Erdogan, que busca ampliar os poderes do cargo. Partidários dele já festejam nas ruas de Istambul, apesar de o resultado ainda não ser oficial. O principal partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), já anunciou que vai pedir a recontagem de 37% das urnas, após relatos de que haveria um grande número de cédulas sem carimbos oficiais. Os turcos foram chamados a dar sua opinião sobre as mudanças constitucionais que introduzem o sistema presidencialista no país. Se confirmada, a vitória do "sim" significará a substituição da atual democracia parlamentarista por uma presidência executiva de grandes poderes, a partir de 2019, e poderá fazer com que Erdogan permaneça no cargo até 2029. É a mudança mais radical no sistema político do país na história moderna. Entre as mudanças está o fim do cargo de primeiro-ministro, com todos os poderes deste sendo transferidos para o presidente, que poderá ainda emitir decretos e nomear a maioria dos juízes e autoridades responsáveis por avaliar as suas decisões. A oposição afirma que as mudanças ameaçam a separação de poderes e corroem ainda mais a independência do Judicário. Erdogan e seus apoiadores afirmam que um governo central forte tornará a Turquia mais apta a enfrentar os atuais desafios, como os problemas econômicos, o terrorismo, o combate contra os rebeldes curdos e a guerra na Síria, que levou milhões de pessoas a se refugir em território turco. O resultado deve ter um profunda influência também nas relações da Turquia com a União Europeia. Um acordo fechado entre líderes europeus e o governo turco ajudou a conter o fluxo de refugiados do Oriente Médio para a Europa. Erdogan já ameaçou rever o acordo. AS/afp/rtr/efe/dw/lusa Esta matéria está sendo constantemente atualizada.

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