Erdogan defende referendo sobre adesão da Turquia à UE

Presidente turco ameaça deixar décadas de negociações com bloco europeu e classifica críticas de observadores internacionais sobre referendo constitucional como "politicamente motivadas$escape.getQuote().O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sinalizou nesta segunda-feira (17/04) a intenção de realizar um referendo sobre o prosseguimento ou a interrupção das negociações de adesão do país à União Europeia (UE). "Há 54 anos que nos fazem esperar à porta da União Europeia, não é verdade?", declarou à multidão concentrada em frente ao palácio presidencial em Ancara. "Poderemos ir ao encontro do nosso povo, e obedeceremos sua decisão." "Vamos sentar e fazer um referendo sobre isto. O Reino Unido fez isso e agora sai da UE. Ou cumprem as promessas que nos fizeram ou também vamos sair", declarou. O presidente turco voltou a criticar países como Holanda e Alemanha por terem impedido atos eleitorais de ministros e manifestações de imigrantes turcos a favor do referendo constitucional realizado neste domingo e que garantiu amplos poderes a Erdogan. "Esses países que atacaram nossos cidadãos com cavalos e cães agora falam de congelar nossas relações com a Europa. Que o façam! Que tomem essa decisão e nos avisem!", afirmou. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Áustria, Sebastian Kurz, sugeriu no Twitter o fim das negociações de adesão da Turquia à UE devido ao resultado do referendo. "Não podemos simplesmente voltar aos assuntos correntes", escreveu defendendo, como alternativa, a criação de um acordo de vizinhança com a Turquia. Os eleitores turcos decidiram consolidar os poderes do governo por uma pequena margem de 51,4% contra 48,6% dos votos, de acordo com a agência de notícias estatal Anadolu. A vitória do "sim" no referendo constitucional significa a substituição da atual democracia parlamentarista por uma presidência executiva de grandes poderes, a partir de 2019, e poderá fazer com que Erdogan permaneça no cargo até 2029. Críticas a observadores internacionais No discurso, Erdogan rejeitou as críticas de observadores internacionais sobre o referendo. O presidente afirmou que a Turquia vai ignorar as conclusões dos observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que classificou como "politicamente motivadas". "Primeiro, conheçam o seu lugar. Não vamos ver nem escutar os relatórios politicamente motivados que prepararam", afirmou ao insistir que a votação foi "a mais democrática" ocorrida num país ocidental. Segundo a chefe da missão de observação da OSCE, Tana de Zulueta, a decisão do conselho eleitoral turco de considerar válidos os votos que estavam sem o selo oficial abre brechas para fraudes. A organização listou uma série de irregularidades no referendo, como a "falta de imparcialidade" numa campanha distorcida em favor do "sim". Segundo os observadores, a campanha ocorreu de forma desigual, com intimidação a opositores, e com manipulação da imprensa a favor de Erdogan. Entre as mudanças previstas pelo referendo está o fim do cargo de primeiro-ministro, com todos os poderes deste sendo transferidos para o presidente, que poderá ainda emitir decretos e nomear a maioria dos juízes e autoridades responsáveis por fiscalizar suas decisões. A oposição afirma que as mudanças ameaçam a separação de poderes e corroem ainda mais a independência do Judiciário. Nesta segunda, o Conselho Nacional de Segurança turco (MGK) recomendou que o estado de emergência decretado no país depois da tentativa de golpe frustrada seja estendido por três meses para "dar continuidade às medidas de proteção da democracia, do Estado de Direito, dos direitos e das liberdades". KG/efe/lusa

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