Temer nega "acordão" com Lula e FHC sobre Lava Jato

Presidente diz que não teve nenhum diálogo com ex-presidentes para amenizar efeitos da operação. Ele afirma que acusações de delator contra ele são mentirosas e reitera que não afastará ministros sem provas.O presidente Michel Temer negou nesta segunda-feira (17/04) que esteja participando de um "acordão" com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para amenizar os efeitos da Operação Lava Jato no cenário político do país. "Não participo, não promovo e jamais fui questionado a respeito disso [acordão]", afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan. "Até o ex-presidente FHC diz que não tem conversa nenhuma nessa direção. E não tem mesmo." Segundo Temer, Lula disse, citando FHC ,que eles precisavam conversar sobre uma reforma política no país, quando recebeu a visita do presidente por ocasião da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia. "Nesse caso [restrito à reforma política] isso até pode ser visto. Mas apenas sobre esse tópico. Não [discutimos] sobre o que está acontecendo hoje no país", disse. Delações da Odebrecht Durante a entrevista, Temer classificou as denúncias feitas nas delações de ex-executivos e funcionários da Odebrecht como eventos "estarrecedores, desagradáveis e preocupantes" e disse que as acusações contra ele são mentirosas. "É desagradável porque se trata de mentira. Tenho procurado dizer que é desagradável e constrangedor porque se trata de inverdade. Os fatos narrados revelam inclusive uma linguagem que não uso", afirmou. "São eventos estarrecedores, desagradáveis e preocupantes porque transmitem uma imagem muito negativa do Brasil no exterior. Sob esse ângulo não há dúvida de que é péssimo. Mas eu pergunto: o que fazer? Paralisar as atividades ou seguir em frente? Eu respondo: seguir em frente", afirmou. No sábado, Temer disse que compartilha da indignação dos brasileiros com a corrupção generalizada no meio político. O presidente afirmou que é constrangedor e desagradável ter o seu nome mencionado pelo delator Márcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Industrial. O executivo disse ter tratado em uma reunião com Temer, em 2010, sobre uma doação de 40 milhões de dólares para a campanha eleitoral do PMDB. Afastamento de ministros Sobre afirmações feitas por ele de afastar temporariamente ministros denunciados e em definitivo os que se tornarem réus, Temer evitou citar o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Segundo o presidente é "muito provável" que alguns ministros de seu governo fiquem desconfortáveis e saiam do cargo. "Mas não vou colocar para fora, demitir ou exonerar simplesmente porque alguém falou de outro. Quando houver provas robustas, e a prova robusta mais evidente se dá pela hipótese da denúncia, aí eu começo a tomar providência", disse. Nova constituinte Temer classificou como "útil" a proposta de uma nova constituinte exclusiva para as reformas política e tributária, mas expressou "certo temor" ao se referir a um manifesto de juristas publicado no jornal O Estado de S.Paulo. Eles pedem uma nova constituinte sob a justificativa de que "a república acabou". "Se propusermos uma constituinte para fazer uma reforma política e, quem sabe, tributária, eu até diria que seria útil. Mas, com todo o respeito a quem assinou esse manifesto, uma nova constituinte se faz quando há ruptura com o estado anterior, colocando outro estado no lugar", disse. Para o presidente, uma nova constituinte poderia causar "tumulto", uma vez que as instituições "estão funcionando plenamente" no Brasil. "Confesso que precisaria examinar um pouco mais esse assunto. Parece-me que as coisas estão funcionando." KG/abr/efe/ots

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