Venezuelanos vão às ruas em clima de tensão

Dezenas de milhares protestam contra o regime, em atos anunciados por movimentos antichavistas como os maiores já realizados no governo Maduro. Caracas registra confrontos, e estudante oposicionista é baleado e morto.Começou em clima de tensão nesta quarta-feira (19/04) os protestos contra o governo Nicolás Maduro em Caracas. Há temor de que os manifestantes – que segundo movimentos antichavistas formam a "mãe de todos os protestos" – entrem em confronto com marchas pró-regime, que acontecem paralelamente. Ainda não há estimativa de quantas pessoas foram às ruas. Em Caracas, a polícia entrou em confronto com manifestantes da oposição, e um estudante morreu após ser atingido por um tiro na cabeça. O incidente ainda está sendo investigado. A confusão começou quando Membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada) dissolveram a concentração opositora quando tentavam marchar para o centro em direção à Defensoria Pública. No mesmo local, ocorria um protesto em apoio a Maduro. Os agentes lançaram de segurança lançaram gás lacrimogêneo contra o grupo oposicionista, que respondeu jogando pedras. Confrontos foram registrados em outras regiões da capital. Num deles, um estudante de 17 anos que participava de uma marcha contra o governo foi atingido por um tiro na cabeça e morreu posteriormente no hospital. A oposição acusa o governo de enviar milícias armadas para reprimir os protestos e afirmam que as forças de segurança não fazem nada para impedir a ação destes grupos, além de reprimir protestos pacíficos. A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que mobilizou a ação, afirmou que, apesar da "repressão", os cidadãos continuaram marchando. Os opositores partiram de 26 pontos de Caracas com destino à Defensoria Pública para pedir a "restituição" da Constituição, que consideram ter sofrido um golpe com a sentença do Tribunal Supremo contra o Parlamento, além de exigir a convocação de eleições. Em resposta, Maduro convocou as Forças Armadas e milícias para as ruas de todo o país para defender a "revolução" bolivariana iniciada pelo antecessor Hugo Chávez e reprimir as manifestações dos que chama de "traidores da pátria". A oposição diz que organiza a "mãe de todos os protestos" para exigir a queda de Maduro depois de duas semanas de manifestações violentas, que resultaram em ao menos cinco mortes e dezenas de feridos. Os protestos devem ter 26 pontos de concentração em Caracas, e as marchas vão seguir até o centro da capital. Autoridades alertaram que não vão deixar o grupo acessar o centro da cidade, onde está marcada uma marcha de apoiadores de Maduro. "Caracas como um todo será tomada por forças revolucionárias", disse o deputado chavista Diosdado Cabello, um dos principais aliados de Maduro. "A hora do combate chegou. Estamos num momento crucial para o futuro da nossa nação", afirmou o presidente. Alguns acessos a Caracas amanheceram nesta quarta-feira bloqueados e o metrô da capital fechou 20 de suas estações no centro da cidade. De acordo com a empresa, as estações estão fechadas "para proteger usuários, funcionários e instalações". Diversas rodovias de acesso à capital foram interditadas pela Guarda Nacional Bolivariana. A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) condenou o envio de soldados e milicianos para as ruas de Caracas. "Não sabemos de nenhum outro caso semelhante na América Latina de um governo armando milícias urbanas", afirmou o diretor para as Américas da HRW, José Miguel Vivanco. "São delinquentes, gangues que agem com total impunidade e intimidam os cidadãos", acrescentou. Na esteira de uma série de protestos violentos que deixaram cinco mortos, os manifestantes opositores exigem que o governo apresente um cronograma para as eleições, suspenda a repressão contra as manifestações e respeite a autonomia da Assembleia Nacional, liderada pela oposição. CN/KG/afp/ap/efe

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