Protestos e racha político marcam congresso nacional do AfD

Membros do partido populista de direita alemão rejeitam proposta de Petry para futuro da legenda durante congresso e elegem dois nomes para encabeçar campanha. Manifestantes marcham contra política anti-imigração.Em meio ao tenso congresso nacional do partido populista de direita Alternativa para Alemanha (AfD), marcado por um racha político, manifestantes contrários à legenda anti-imigração protestaram neste sábado (23/04), em Colônia, em frente ao Hotel Maritim onde foi realizada a conferência. Os participantes do protesto tentaram impedir a entrada de 600 membros do AfD no local. No tumulto, um policial ficou ferido. Dezenas de policiais intervieram para permitir a passagem dos apoiadores do partido. Com a expectativa de que 50 mil pessoas se juntassem ao protestos, as autoridades alemãs enviaram 4 mil policiais ao local. As tensões diminuíram depois do tumulto no início da manhã. Os manifestantes carregavam faixas com mensagens como "Bem-vindos, refugiados" e "Contra o racismo". A copresidente do AfD, Frauke Petry, disse que o partido precisa criar o caminho para uma "mudança espiritual e moral na Alemanha" e no restante da Europa. Mas a maioria dos membros presentes rejeitaram os planos de Petry para o futuro da legenda. O congresso ocorre dias depois de Petry anunciar que não irá concorrer à Chancelaria Federal pelo partido nas eleições gerais de 24 de setembro. O gesto é visto como um reflexo de rachas internos entre os populistas de direita alemães, que almejam conquistar pela primeira vez assento no Parlamento alemão. Com o afastamento de Petry, rosto mais conhecido da legenda, os populistas elegeram Alexander Gauland e Alice Weidel para encabeçar a campanha nas eleições legislativas de setembro. Ex-membro da ala mais dura do partido de Angela Merkel, Gauland, de 76 anos, é um dos integrantes mais proeminentes da AfD, do qual é cofundador, e talvez o maior rival de Petry. Weidel, por outro lado, é pouco conhecida e nunca exerceu cargo político. Divisões internas Joerg Meuthen, também líder do AfD, mas com posições de extrema-direita ainda mais radicais, criticou a política de migração da chanceler federal alemã, Angela Merkel, que abriu as portas para mais de um milhão de refugiados na Alemanha. "Não queremos nos tornar uma minoria no nosso próprio país", disse Meuthen ao alertar que a Alemanha pode se tornar uma nação dominada por muçulmanos. O governador federal do estado da Renânia do Norte-Vestfália elogiou a atitude dos manifestantes. "Há muitos democratas aqui que dizem: nós queremos permanecer como somos, um país com diversidade, aberto e tolerante", afirmou. A política de 41 anos, que se tornou colíder da AfD em 2015, derrubou o cofundador Bernd Lucke e mudou o foco do partido de questões econômicas para imigração e islã. Os índices do partido saltaram nas pesquisas após o afluxo de refugiados na Alemanha, no fim de 2015 e início de 2016, e a AfD conseguiu assentos em 11 parlamentos regionais. No entanto, o partido, fundado em 2013, vem perdendo prestígio nos últimos meses, com a crise migratória deixando de ocupar manchetes e em meio a brigas internas, entre Petry e o marido, Marcus Pretzell, e outros políticos da legenda. Integrante da ala mais moderada, Petry enfrenta forças nacionalistas e ultradireitistas. Segundo ela, a falta de uma estratégia comum vem prejudicando a imagem da AfD. KG/ap/dpa

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