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Cada vez mais venezuelanos pedem asilo na UE

Mirra Banchón (jps)

27/04/2017 16h26

Maioria opta pela Espanha, mas encontra dificuldades para ter pedido atendido. Apesar de número de requerentes bem inferior aos da Síria e Iraque, Venezuela é único país latino-americano na estatística.Um total de 4.695 venezuelanos entrou com pedidos de asilo na União Europeia (UE) em 2016. O número não é elevado se for comparado aos 1,2 milhão de pedidos de refúgio e asilo recebidos pelos 28 países, mas os venezuelanos são um grupo que vem crescendo. Apesar de ocupar apenas a 24° posição entre os 30 países com mais solicitantes, a Venezuela é a única nação da América Latina que faz parte das estatísticas.O impacto da chegada dos venezuelanos também é sentido de maneira diferente em cada um dos 28 países da UE. A Alemanha continua sendo o destino preferido dos sírios, iraquianos, iranianos, afegãos e eritreus. Já a Espanha, que compartilha a língua com o país sul-americano, concentra mais de 80% dos requerentes da Venezuela – em 2016, 3.960 deles estavam no país ibérico. Além dos requerentes de asilo, entre 200 mil e 500 mil venezuelanos migraram normalmente para a Península Ibérica desde o início dos anos 2000.De acordo com o sociólogo Tomás Páez, quase 2 milhões de venezuelanos escolheram partir para o exterior nas últimas duas décadas. Uma deles é Iselle, de 31 anos. Ela optou pela a UE para estudar, mas agora se sente uma expatriada, já que não pode voltar para casa. No ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano determinou que nacionalidade venezuelana prevalece entre os cidadãos do país. Dessa forma, venezuelanos com várias nacionalidades têm que usar um passaporte local para entrar e sair do país."Preciso de um passaporte, só que ele não chega. Para mim é simplesmente uma forma de impedir que os venezuelanos deixem o país. Na Venezuela, quem estiver numa situação boa ou não tão boa está decidindo deixar o país devido à insegurança, falta de comida, falta de medicamentos. O país está ficando sem potencial profissional", disse Iselle à DW.Embora o fluxo de migrantes da Venezuela à UE tenha se intensificado desde 2014, o que chama a atenção nesse momento são os pedidos de asilo de venezuelanos. Segundo o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), eles quintuplicaram desde então.Preferência para refúgio humanitárioChegar até a Europa e pedir asilo não significa o fim dos problemas. De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, dos 40 pedidos analisados ?em 2016, apenas quatro foram atendidos. Desde 2012, o asilo foi concedido em apenas seis casos. Por causa das dificuldades no país ibérico, aqueles que aceitam encarar o desafio de aprender uma nova língua decidem optar por outras nações da UE.É o caso de Israel, de 19 anos, e sua família. Eles chegaram à UE logo após a onda de manifestações sangrentas de 2014. Sua família acolheu manifestantes da oposição que fugiam do gás lacrimogêneo. "Eles (governistas) começaram a nos ameaçar. Escolhemos a Bélgica aleatoriamente. Fomos aconselhados a procurar asilo", disse Israel. Os meses num abrigo não deixaram boas recordações. Agora ele está terminando o ensino médio.O tenente Wilmer Aguirre é outro que decidiu deixar a Venezuela e partir para a Bélgica. Ele sofreu retaliações no seu país ao escrever um relatório em que questionava o poder dos "coletivos" – os grupos paramilitares armados pelo governo chavista. Entre a escolha de pedir baixa das Forças Armadas ou sofrer uma punição exemplar, ele foi tomado pelo impulso de deixar o país.Chegou à Bélgica em agosto de 2016, mas ainda não recebeu qualquer sinal de que seu pedido de asilo será aceito. Enquanto isso, pessoas de outros países que vieram depois já conseguiram o status de refugiado."Fico triste de ver que pessoas que chegaram depois já receberam uma resposta positiva. Entendo que é um refúgio humanitário, que elas vêm de países em guerra. Mas o meu pedido é de asilo político", afirmou, citando o caso de refugiados do Iraque e da Síria, que têm preferência sobre os venezuelanos.Enquanto espera uma resposta, ele vive num abrigo, onde recebe três refeições diárias, 7 euros por semana e assiste a aulas de holandês. É tomado pela angústia de ainda não ter ideia de quando vai ser a sua segunda entrevista oficial para a concessão do pedido."Vim para este abrigo em agosto. Meu trem chegou da França à estação Bruxelas-Norte, onde há um busto de Simón Bolívar. Entendi isso como um bom sinal", disse Aguirre, que precisa obter o status de asilado para poder levar sua mulher e filha para a Bélgica.