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Merkel traça os limites do Brexit

Jefferson Chase

27/04/2017 06h43

Chanceler alemã alerta britânicos a não perderem tempo com ilusões e deixa claro que acordo comercial com Reino Unido, só após fim do processo de saída: "País de fora da UE não pode ter mesmas vantagens de país-membro."Às vésperas de uma reunião de cúpula entre os 27 países remanescentes da União Europeia, a chanceler federal Angela Merkel explicou nesta quinta-feira (27/04) ao Parlamento alemão a posição de seu governo sobre as negociações do Brexit.Mas, ao menos em parte, sua mensagem foi para além do Canal da Mancha: os britânicos, deixou claro a chefe de governo alemã, não devem esperar um acordo que privilegiaria o Reino Unido."Um Estado de fora da UE não pode ter as mesmas vantagens ou estar posicionado melhor que um Estado-membro", disse Merkel. "Eu sinto que alguns no Reino Unido mantêm ilusões em relação a isso. Estão perdendo tempo."A frase gerou aplausos no Parlamento. Merkel reiterou que os negociadores terão que resolver todos os detalhes da saída britânica da UE antes que qualquer acordo bilateral entre Reino Unido e o bloco europeu seja concretizado."Esses passos terão que ser dados nessa ordem", disse Merkel. "Nosso objetivo é conseguir o melhor acordo para a Europa e seus cidadãos."As negociações, como destacou Merkel, só começarão após as eleições parlamentares britânicas, marcadas para 8 de junho.Nem todas as declarações de Merkel focaram em potenciais conflitos de interesse entre Reino Unido e UE. A chanceler alemã afirmou também que tanto a Alemanha quanto o bloco europeu como um todo têm interesse num Reino Unido forte e próspero.Segundo ela, uma das prioridades será esclarecer o futuro status de aproximadamente 100 mil cidadãos alemães que atualmente vivem no Reino Unido. Em troca, afirmou, Berlim e a UE estariam prontos para oferecer aos britânicos um "acordo justo".Merkel também expressou confiança de que a UE e o Reino Unido pós-Brexit compartilham interesses em negócios, com perspectiva de continuar vendendo seus produtos uns para os outros, e na luta contra o terrorismo.Citando a Irlanda, a chanceler afirmou ser um sinal de força da União Europeia que nenhum dos 27 Estados-membros tenha iniciado "negociações preliminares" com o Reino Unido.Falando em nome do Partido Social-Democrata (SPD), parceiro de coalizão de Merkel no governo, o deputado Thomas Oppermann disse: "Fico feliz que haja consenso na coalizão em relação a esse tema." Mas Sahra Wagenknecht, do opositor A Esquerda, acusou o governo Merkel de tentar punir o Reino Unido e ignorar as preocupações sociais que levaram muitos a votar pelo Brexit."A UE está sob ameaça de desmoronar", disse Wagenknecht. "Qualquer um que acredite que precisa de intimidação para garantir a solidariedade europeia, na verdade, já desistiu há tempos da Europa."Os chefes de governo e Estado da União Europeia se reúnem neste sábado em Bruxelas.