Capitais têm protestos e greves contra reformas de Temer

Jean-Philip Struck

Atos ocorrem em todos os estados, com paralisação do transporte público e bloqueio de ruas. Em São Paulo, onde movimento é mais forte, 16 pessoas são detidas em confrontos com a polícia.Paralisações e manifestações atingem nesta sexta-feira (28/4) 26 estados e o Distrito Federal. Os atos fazem parte da greve geral convocada por nove centrais sindicais que se opõem às reformas promovidas pelo governo do presidente Michel Temer na Previdência e na legislação trabalhista. O que deve mudar com a reforma trabalhista? O que está em jogo na reforma da Previdência? Em diversos estados, as paralisações atingem setores-chave, como o transporte público. A paralisação provocou um efeito cascata em várias capitais. Com as zonas centrais esvaziadas pela falta de transporte e com a dificuldade encontrada por funcionários para chegar ao trabalho, vários comerciantes resolveram fechar as portas. Em São Paulo, três dezenas de categorias aderiram à paralisação, entre motoristas, metroviários, ferroviários, bancários, funcionários dos correios e professores das redes municipais, estaduais e particular. A capital paulista amanheceu sem ônibus e com o metrô e a linhas da CPTM funcionando parcialmente, mas a circulação de trens já estava voltando ao normal à tarde. Várias barricadas foram montadas por manifestantes em diferentes pontos da cidade para interromper a circulação viária. Havia expectativa de que os aeroportos de Congonhas e Guarulhos ficassem paralisados com a adesão dos aeroviários à greve, mas foram registrados apenas alguns atrasos e cancelamentos e os voos já operam normalmente. Há registro de bloqueios em várias rodovias do país. Em Porto Alegre, um grupo bloqueou a ponte sobre o rio Guaíba. No Rio de Janeiro, manifestantes impedem o acesso às barcas que fazem o transporte para Niterói e um grupo chegou a bloquear a ponte que faz a ligação com o município vizinho. Manifestantes também bloquearam várias vias da cidade, como Avenida Radial Oeste, Linha Vermelha, Avenida Dom João 6º, Avenida Abelardo Bueno, Via Expressa do Porto e Túnel Marcello Alencar. Ainda no Rio, a frota de ônibus operava parcialmente nesta manhã, mas já funcionava normalmente no início da tarde. Trens e metrô funcionaram normalmente. Algumas refinarias da Petrobras também tiveram os acessos bloqueados por grevistas, e o trabalho foi paralisado nas cinco principais montadoras do ABC Paulista. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, 60 mil pessoas não apareceram para trabalhar nas fábricas. Outras capitais, como Salvador, São Luís, Curitiba, João Pessoa, Brasília, Recife e Porto Alegre, ficaram totalmente sem ônibus. Em Belo Horizonte, o transporte público opera parcialmente. Jornais brasileiros publicaram fotos de dezenas de terminais urbanos completamente vazios. Agências bancárias fecharam em Fortaleza e Vitória e em parte do Rio de Janeiro. Em Brasília, o governo local instalou barreiras na Esplanada do Ministérios para eventualmente conter manifestantes. Policiais do Exército foram colocados de prontidão para patrulhar o entorno do Palácio do Planalto. As vias de acesso ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek chegaram a ser bloqueadas com pneus e fogo por manifestantes, mas já estão liberadas, e o tráfego flui sem problemas. Os ônibus e o metrô estão parados. Houve registro de incidentes em várias capitais. Policiais e manifestantes entraram em choque no centro de São Paulo e pelo menos 16 pessoas foram presas. Em Fortaleza uma agência bancária foi depredada. No Aeroporto Santos Dumont, no Rio, houve um registro de uma briga entre militantes no saguão principal do prédio. Escala e antecipação Em novembro e março já haviam sido feitas convocações similares que usaram a expressão "greve geral", mas elas não provocaram o impacto esperado pelos sindicatos. Desta vez, a expectativa em relação aos protestos era maior, à medida em que mais e mais centrais confirmaram que seus afiliados iriam cruzar os braços. Houve ainda um trabalho mais sistemático nas redes sociais para convocar simpatizantes, o que alimentou a sensação de que o evento teria adesão considerável. A estratégia também mudou, passando a mirar o setor de transporte, que tem mais capacidade disruptiva. O timing também coincide com a aprovação pela Câmara da reforma trabalhista. Há dois dias, os deputados votaram o projeto de lei que flexibilizou a CLT e enfraqueceu sindicatos e a Justiça do Trabalho. O texto ainda precisa passar pelo Senado e é visto como uma prévia para testar a capacidade do governo de aprovar a ainda mais controversa reforma da Previdência, que encontra resistência até mesmo na base aliada de Temer. Os atos de hoje estão contando com a participação da Força Sindical, ligada ao Solidariedade, partido da base aliada do presidente. O chefe da central, Paulinho da Força, vem ameaçando nas últimas semanas romper com o governo. As últimas grandes greves gerais no Brasil foram registradas nos anos 80 e 90. Na época as centrais tinham como alvo a crise econômica do governo José Sarney e as privatizações da era Fernando Henrique Cardoso. Ainda não há estimativas se os eventos desta sexta-feira são comparáveis aos que ocorreram há mais de 20 anos. As concentrações de manifestantes nesta sexta ainda parecem tímidas em comparação com as registradas nos últimos dois anos no país. Em Brasília, por exemplo, cerca de 3 mil pessoas estão protestando na Esplanada dos Ministérios. Em São Paulo, um ato está marcado para ocorrer no Largo da Batata no final da tarde. A greve geral foi criticada por políticos e movimentos alinhados com o governo ou que defendem as reformas. O Movimento Brasil Livre (MBL), que coorganizou as manifestações contra o governo da presidente Dilma Roussef, publicou uma série de slogans como "Dia 18 eu vou trabalhar" em suas páginas de redes sociais. Nesta sexta-feira, foram várias publicações chamando manifestantes de "vagabundos". Curiosamente, o movimento convocou em 2015 uma greve geral quando a presidente ainda era Dilma Rousseff. Desta vez, os líderes avaliam que as manifestações contra Temer têm as digitais do PT e de Lula. Já o prefeito de São Paulo, João Doria, ameaçou cortar o ponto de funcionários que aderissem à greve. Ele também chamou os grevistas de "vagabundos" e "preguiçosos". O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, disse que os atos desta sexta-feira são parte de uma "baderna generalizada".

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