1968: "Hair" estreia na Broadway

Michael Kleff (rw)

No dia 29 de abril de 1968, "Hair" estreou em Nova York. Pela sua exaltação à cultura hippie, acabou se tornando símbolo de uma geração e modelo para o movimento de protesto contra o racismo e a Guerra no Vietnã.O primeiro grande musical de rock e a música Aquarius correram o mundo no final da década de 60, depois da estreia de Hair no Biltmore Theater, da Broadway, em Nova York. A obra agradou especialmente à nova geração norte-americana, engajada em protestos contra a Guerra no Vietnã, pelo Black Power e o amor livre. Pela primeira vez na história do teatro, os atores se atreveram a representar completamente nus no palco. A peça conclamava a orgias de sexo e drogas, temas chocantes para a Igreja e os políticos da época. Mesmo assim, a ousadia da peça fez com que rapidamente fosse elogiada como brilhante pelos críticos. Clive Barnes, do New York Times, escreveu tratar-se "da primeira peça na Broadway que fala a linguagem contemporânea e não de antigamente". Tom O'Horgan, diretor da peça, admitiu que "uma ideia destas só se tem uma vez na vida. Trata-se de uma obra cujos diálogos, a música, a dança, inclusive o título, tudo representa com detalhes um fenômeno social real." Um musical sem enredo fixo Hair foi concebida por dois atores desempregados: Gerome Ragni e James Rado queriam levar ao palco uma peça contemporânea que tratasse de experiências da vida real. Depois de muita procura, conseguiram engajar o compositor Galt MacDermott, que com quase 40 anos já era "velho" para a proposta do musical. O enredo trata dos jovens George Bergere, Claude Berkowsky e seu grupo de amigos. George acaba de ser expulso da escola e Claude está prestes a iniciar o serviço militar. O peculiar da peça é que seu ator abdicou de um roteiro fixo. A cada apresentação, os diálogos entre os personagens eram livres e, consequentemente, diferentes. Apesar de muitas censuras e proibições (principalmente no exterior), Hair foi um enorme sucesso de público, sendo apresentado 1.750 vezes no Biltmore Theatre, até 1º de julho de 1972. Em 1970, a banda Fifth Dimension ganhou o Grammy da melhor canção do ano com Aquarius (Let the Sunshine In), que compôs a trilha sonora do musical. Peça mudou modo de pensar e moral Em países como Alemanha, Israel, Suécia, França, Inglaterra, Austrália e Japão, foram levadas iniciativas próprias aos palcos. Anos mais tarde, alguns dos intérpretes se tornaram grandes estrelas, como Diane Keaton, nos Estados Unidos, e Donna Summer, na Alemanha. Depois, o musical ganhou as telas dos cinemas através de Milos Forman. O musical deixou rastros em todo o mundo, conforme escreveu David Richards no New York Times, por ocasião dos 25 anos de estreia da peça: "Hair mudou o pensamento político e os valores morais. Mesmo assim, a Broadway nunca mais aceitou um musical de rock semelhante, até certo ponto devido à pressão dos conservadores. Hoje em dia, a expressão flower power é muito mais usada pelos floristas que por uma geração de protesto." Os anos 60 marcaram a rebelião da juventude em vários aspectos. Era a vez dos jovens que, influenciados pelas ideias de liberdade, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. O movimento, que nos anos 50 vivia recluso em bares nos EUA, passou para as ruas nos anos 60 e influenciou novas mudanças de comportamento jovem, como a contracultura e o pacifismo do final da década.

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