Dez anos de mistério: o caso Madeleine

O sumiço da menina britânica no Algarve em 2007, quando ela tinha três anos, é um dos casos policiais mais midiáticos da história de Portugal e Reino Unido. Uma década depois, ainda não há qualquer pista concreta.Uma "terrível recordação de um tempo roubado" – é como Kate e Gerry McCann chamam o 3 de maio. Foi o dia em que a filha deles, Madeleine, apelidada Maddie, desapareceu em 2007 durante férias com amigos em Portugal. A menina de três anos de idade estava no quarto de hotel com os dois irmãos menores enquanto os pais jantavam em um restaurante. Por volta das dez horas da noite, a mãe percebeu que sua filha havia sumido, enquanto os meninos, então com dois anos, ainda dormiam no apartamento. O incidente, que ainda é investigado, é um dos casos policiais que despertaram maior atenção midiática na história de Portugal e Reino Unido. "Maddie" foi avistada mais de 8 mil vezes desde aquele 3 de maio – mas nenhuma das denúncias levou a avanços nas investigações. O local do episódio Os McCann passavam as férias em 2007 no balneário de Praia da Luz, na costa do Algarve, em Portugal. O caso deixou sua marca no local, muito procurado por turistas britânicos. Moradores criticaram as operações em grande escala dos investigadores durante a temporada de férias. Em 2014, cerca de 30 policiais fizeram uma devassa no balneário com cães farejadores, radar de penetração no solo, escavadeiras e pás. Os pais de Maddie não são populares entre os moradores, e muitas vezes o casal foi vaiado durante visitas. A família Madeleine "Maddie" Beth McCan é a filha mais velha dos britânicos Kate e Gerry McCann, nascida em 12 de Maio de 2003 em Leicester, na Inglaterra. Ambos os pais são médicos e católicos praticantes. Além de Maddie, o casal tem ainda um par de gêmeos, irmã e irmão de Madeleine, que são mantidos longe do público pelos pais. Em 2011, a mãe, Kate, lançou um livro onde apresenta a sua versão dos fatos. A investigação Quase um ano após o desaparecimento, a polícia portuguesa encerrou as investigações sem resultados. Não havia provas de um crime. Os pais não quiseram desistir e contrataram uma equipe de ex-investigadores da Scotland Yard para continuar a busca. Cinco anos depois do desaparecimento de Maddie, a própria polícia inglesa retomou o caso com a Operação Grange, sob a supervisão da então ministra do Interior e hoje premiê, Theresa May. Os portugueses também voltaram a apurar, igualmente sem sucesso. Não se pode excluir a possibilidade de que Maddie ainda esteja viva, disse recentemente Mark Rowley, chefe de investigações especiais da Scotland Yard. Os suspeitos Os pais também viraram alvo dos investigadores. Meses depois, o então investigador-chefe português Gonçalo Amaral seria afastado do caso. Ele publicou um livro no qual argumentava que Maddie estava morta e que os pais teriam acobertado o fato. No início deste ano, o ex-comissário venceu um processo contra os McCann e poderá seguir divulgando suas suposições. Os investigadores britânicos, por outro lado, acham improvável que os pais estejam envolvidos no crime. Eles partem do pressuposto de que Maddie foi sequestrada. A teoria também se baseia no testemunho de uma amiga dos McCann que afirma ter visto, durante o jantar no restaurante, um homem carregando uma criança pela praia. Nenhum suspeito, porém, pôde ser apontado. A mídia O caso provocou comoção desde o início. Na TV, a mãe de Madeleine suplicou a possíveis sequestradores que libertassem a criança. Fotos da menina loira rodaram o mundo. Nos Estados Unidos, os McCann deram uma entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, cujo programa é assistido por milhões de telespectadores. Mas a atenção inicialmente positiva recebida pelos McCann sofreu uma virada quando o casal passou a ser considerado suspeito. Os pais, seus amigos e uma outra pessoa temporariamente tida como suspeita processaram vários tabloides e o canal de televisão Sky por causa de coberturas apontadas por eles como difamatórias. Os apoiadores O alarde da mídia em torno do caso Maddie também se deve aos simpatizantes famosos dos McCann. Joanne K. Rowling, a autora de Harry Potter, deu apoio financeiro ao casal. Poucas semanas depois do desaparecimento de Maddie, o então papa Bento 16 recebeu os pais em uma audiência. Em 2011, o então primeiro-ministro britânico, David Cameron, decretou pessoalmente que os processos de inquérito fossem verificados novamente. Estima-se que o caso já tenha custado mais de 13 milhões de euros para as autoridades britânicas. Em março, o Ministério do Interior em Londres liberou recursos para mais seis meses. Os críticos A extensão do caso Maddie também foi alvo de críticas. Semanas após o sumiço, os pais de Maddie colocaram uma página de doações online, onde só no primeiro ano foram arrecadados quase dois milhões de libras. Na segunda metade de 2007, os McCann teriam utilizado o dinheiro para, entre outras coisas, pagamentos de hipoteca. Eles também foram criticados pela contratação de detetives particulares caros, enquanto apenas uma fração foi destinada aos custos de investigações de outras centenas de casos de crianças desaparecidas. A internet "Maddie" é um tema bastante debatido na rede até hoje. Ele é considerado como um dos primeiros casos de bullying online. Cientistas da Universidade de Huddersfield, no Reino Unido, publicaram no início deste ano um estudo onde eles analisaram o comportamento de papéis da internet em relação ao caso. Os McCann mesmos mantinham sua própria página "Find Maddie". "É provável que seja estressante e doloroso, cada vez que a reciclagem de velhas histórias, informações falsas, meias-verdades e puras mentiras fizerem sua ronda em jornais, mídia sociais e programas especiais", escreveu o casal em seu site às vésperas do aniversário. O futuro Os pais não perderam a esperança até hoje. Em uma entrevista à BBC, eles disseram que ainda querem fazer de tudo para encontrar sua filha. A polícia britânica continua a trabalhar na resolução do caso. Quatro policiais seguem debruçados em um "pequeno número de pistas decisivas", informou a Scotland Yard.

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