Macron e Le Pen travam batalha em último debate

A três dias do segundo turno na França, duras acusações marcam debate televisivo, que costuma ser decisivo em campanhas eleitorais. Na avaliação de eleitores, candidato centrista se saiu melhor na disputa.No último debate televisivo antes do segundo turno da eleição presidencial na França, o centrista Emmanuel Macron e a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, travaram nesta quarta-feira (03/05) uma batalha em meio a duros ataques na tentativa de conquistar os eleitores indecisos. Macron começou chamando Le Pen de mentirosa e acusou a rival de estar escondendo um projeto para aumentar os impostos e financiar suas ambições nacionalistas. A líder de extrema direita respondeu classificando o adversário de candidato das elites. Leia também: Ponto a ponto: o que pensam Macron e Le Pen Le Pen consolida Frente Nacional no cenário político francês "Um europeu de coração": a ascensão de Macron "O senhor é o candidato das finanças, da 'uberização', da globalização selvagem", declarou Le Pen, que acusou ainda seu rival de ser "o candidato da continuidade" do mandato do atual presidente, o socialista François Hollande. A candidata fez questão de se referir ao rival como ministro, para ressaltar que Macron foi o titular da pasta de Economia entre 2014 e 2016, após ter sido assessor de Hollande. Le Pen se apresentou como "a candidata do povo, de sua cultura, sua civilização, sua unidade, da nação que protege os cidadãos e as fronteiras frente à globalização e ao islamismo". O candidato centrista se defendeu evidenciando a falta de desejo de sua rival para buscar um debate democrático. "A senhora é a autêntica herdeira de um sobrenome, de um partido e de um sistema que prospera no enfado dos franceses. Há 40 anos temos os Le Pen candidatos à eleição", destacou. Macron ainda acusou Le Pen de não ter um programa para conduzir a França e de se sustentar em mentiras. "A senhora continue com seus insultos, eu acredito que a questão é saber se os franceses querem o espírito de derrota que a senhora encarna ou o da conquista que sempre deu triunfos aos franceses", disse. Além de economia, o debate foi focado em outros três temas – terrorismo, educação e Europa – ao longo de pouco mais de duas horas, num formato em que dois jornalistas questionavam os candidatos. Terrorismo e União Europeia Ao ser questionada sobre suas propostas para combater o terrorismo, Le Pen acusou o rival de ser complacente com o fundamentalismo islâmico. "É necessário erradicar a ideologia fundamentalista, e você não fará isso porque está submetido a eles. Você tem relações com pessoas próximas às que cometem atentados", disse, ao ressaltar que Macron recebe o apoio de associações islâmicas, além da Arábia Saudita e do Catar. Le Pen afirmou que essas associações islâmicas atacam homossexuais e judeus. Macron aproveitou essas palavras para responder à candidata da extrema direita. "Este debate já teve pelo menos um mérito formidável: escutar da sua boca palavras de compaixão em relação a homossexuais e judeus deste país", comentou. Em resposta aos ataques, Macron afirmou que, se eleito, a luta contra o terrorismo será a prioridade nos próximos anos e que a comandará com firmeza dando mais recursos às forças de segurança. O candidato alegou ainda que a rival tenta provocar uma guerra civil no país. "O maior desejo dos jihadistas é que Le Pen chegue ao poder na França, porque eles buscam a radicalização e a guerra civil para as quais você leva o país. A armadilha da guerra civil que preparam insultando a França e atacando o nosso país", declarou. Sobre a Europa, a candidata de extrema direita prometeu um referendo para a "independência da França" e para o fim do euro. Le Pen acusou o adversário de ser um fantoche da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. "De qualquer forma, a França será dirigida por uma mulher, eu ou Merkel", destacou. Em contrapartida, Macron considerou irreal o projeto de sua adversária, e "mortífero para o poder aquisitivo e a competitividade" da economia. O candidato propôs a adoção de reformas que fortaleçam a economia francesa e que permitam à UE proteger mais os cidadãos. "A França merece alguém melhor do que você", afirmou Macron a Le Pen no fim do debate. Vitória de Macron Um ritual da vida política francesa desde 1974, o debate televisivo antes do segundo turno é muitas vezes decisivo nas campanhas presidenciais, ao orientar os eleitores indecisos. Em pesquisa divulgada após o final do debate, o candidato centrista foi considerado mais convincente do que sua rival por 63% dos entrevistados. Macron foi o candidato preferido de 95% dos que votaram nele no primeiro turno, enquanto Marine foi a vencedora do debate para 85% dos seus próprios eleitores. Macron também foi considerado melhor por 58% dos quem votaram no conservador François Fillon, terceiro colocado no primeiro turno, e por 66% dos eleitores do candidato da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon. Os franceses voltam às urnas neste domingo (07/05) para escolher o novo presidente. No primeiro turno, Macron recebeu 23,86% dos votos, e Le Pen, 21,43%. CN/efe/lusa/ap/afp

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