Alemanha acha memorabilia nazista em quartel

Descoberta de capacetes, condecorações e fotos de soldados nazistas em quarto de soldado alimenta escândalo envolvendo simpatizantes de extrema direita nas Forças Armadas alemãs.Investigadores que apuram a presença de simpatizantes de extrema-direita na Bundeswehr, as Força Armadas da Alemanha, descobriram um quarto em um quartel de Donaueschingen, no sudoeste do país, decorado com objetos da Wehrmacht, as forças militares do antigo regime nazista. Uma busca em todos os quartéis do país foi ordenada, na procura de objetivos similares. Segundo noticia neste sábado (06/07) a revista Der Spiegel, os objetos consistem em antigos capacetes, condecorações, fotos de soldados nazistas e réplicas de armas do período. A descoberta foi confirmada por um porta-voz militar, segundo a publicação. O mesmo porta-voz acrescentou que os itens não foram considerados "de relevância criminal". O impacto é mais relevante para a imagem da instituição. O anúncio da descoberta ocorre apenas uma semana depois de um oficial do Exército alemão ter sido detidopor suspeita de planejar ataques xenófobos contra migrantes. Investigadores também encontraram objetos nazistas no alojamento deste oficial, que foi identificado como Franco A., de 28 anos. O quartel da cidade francesa de Illkirch, onde Franco A. estava estacionado, já havia sido palco de um escândalo envolvendo extremismo em 2012. Na ocasião, o jornal alemão Bild relatou que um grupo de soldados alemães tinha exibido uma suástica de quatro metros de comprimento no local para celebrar a vitória de um time de futebol. Três soldados sofreram baixa após o incidente. Franco A. ainda não estava estacionado lá. Em uma visita ao quartel de Illkirch, na quarta-feira, a ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, ressaltou que o exército moderno da Alemanha não tolera qualquer veneração às tradições e costumes da Wehrmacht nazista. Esse sentimento foi ecoado pelo ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, que declarou que "quem glorifica a Wehrmacht não tem lugar algum na Bundeswehr". Ministra sob fogo O Comitê Internacional de Auschwitz respondeu no sábado à reportagem da Spiegel exigindo um debate sobre a cultura na Bundeswehr. "Para os sobreviventes do Holocausto, a percepção de que dentro de um exército alemão os símbolos nazistas podem ser novamente glorificados e as tradições da Wehrmacht ressuscitadas é horrível e repulsivo", disse Christoph Heubner, vice-presidente da organização. O Exército alemão disse no mês passado que estava investigando 275 casos suspeitos de extremismo de direita dentro de suas fileiras. A maioria dos casos estava relacionada a crimes de propaganda e comentários racistas na internet. Em um caso, um soldado escreveu mensagens abusivas a uma refugiada depois de perguntar se ela era cristã ou muçulmana. Os escândalos pressionam Von der Leyen, uma aliada próximo da chanceler Angela Merkel, a menos de cinco meses antes da eleição federal alemã. A ministra teve que se defender de críticas de uma associação do Exército depois ter acusado as Forças Armadas de sofrerem com uma suposta "liderança fraca". Ela mais tarde se desculpou por suas críticas às forças armadas, mas também alertou que as investigações poderiam relevar mais casos de extremismo. O general reformado Harald Kujat disse ao semanário alemão Welt am Sonntag que Von der Leyen está provocando um efeito prejudicial sobre os militares alemães. "A crítica da ministra ao comportamento, à liderança e ao espírito dos militares foi inaceitável e prejudicial à Bundeswehr. Suas desculpas foram da boca para fora," disse. "O dano colateral de suas observações terá influência na reputação de nossas forças e na confiança depositada em nossos soldados." O general Kujat, que já foi o principal comandante militar da Alemanha e chefiou o Comitê Militar da Otan, disse que Von der Leyen sempre se apresentou como uma estranha entre os oficiais da Bundeswehr. Ele sugeriu ainda que ela estava usando o Exército alemão como um meio para promover suas próprias ambições. JPS/rt/dpa

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