Opinião: É hora de ajudar Macron

Max Hofmann

Presidente eleito tem o que é necessário para tirar seu país de uma crise permanente, mas não conseguirá fazer isso sozinho. Ele pode ser a última chance de uma França europeia, opina Max Hofmann.Pode não ser algo como a vitória para a posteridade de Barack Obama em 2008, mas Emmanuel Macron conseguiu um feito histórico. Ele é o primeiro presidente da história recente a não pertencer aos partidos tradicionais (socialistas e conservadores). Ele é também o mais jovem. Para seus eleitores, é o momento em que a França volta aos trilhos. Juventude, esperança, otimismo: todas essas palavras são usadas por seus partidários para descrever o que eles acham do novo presidente. Mas esse político de 39 anos realmente é capaz de evitar a grande decepção que muitos veem no horizonte? Macron é esperto. Muito esperto, dizem aqueles que o conhecem. Em cada fase de sua vida, ele fez novos amigos em meio às mentes mais brilhantes da França: homens de negócio, filósofos, políticos. Ele provou, uma série de vezes, que pode forjar alianças, mediar, encontrar soluções. Ele fez isso como estudante nas melhores universidades do país, como investidor financeiro no Rothschild e como ministro da Economia no governo François Hollande. Para quem duvida: assista ao debate entre ele e a tóxica Marine Le Pen. Macron foi mais rápido, firme e mais fácil de entender que sua oponente em todos os pontos. Mas tudo isso não vai servir para nada se ele não conseguir arranjar aliados no cenário político francês. "Em Marcha", o movimento político de Macron, é fresco – e frágil – como uma flor de primavera. Até agora, não tem uma única cadeira no Parlamento. Isso certamente vai mudar em 18 junho, quando a França, novamente, voltar às urnas, para o pleito legislativo. Mas, provavelmente, não será suficiente para governar. Macron precisa de parceiros. E os únicos disponíveis são os que os eleitores franceses rejeitaram com veemência: socialistas e conservadores. O dinheiro velho, com frequência, rejeita os novos riscos. Macron vai navegar em águas nunca antes navegadas. Os partidos tradicionais sabem que terão que, em alguma medida, cooperar. Se eles bloquearem Macron para benefício próprio, no final ambos vão perder. De certa forma, com o jovem político, a França está dando à velha ordem uma nova chance. Eles o fizeram porque Macron deixou o governo Hollande há dois anos e tomou tempo para se livrar do establishment. Mas, se ele falhar como seus antecessores, a maioria dos eleitores pode querer tentar algo completamente novo: Marine Le Pen. Há certa pressão em Macron e seus prováveis aliados no Parlamento. Isso não significa que eles vão produzir o equivalente político de diamante. As últimas semanas mostraram que os socialistas ficaram presos num feudo familiar entre direita e esquerda. Os conservadores escolheram, com François Fillon, um candidato que conseguiu fracassar numa eleição que era dele. Ambos os partidos têm membros linha-dura, que vivem num "La La Land" e prefeririam ver seu país afundar a chegar a um acordo. E, é claro, há Marine Le Pen e sua Frente Nacional, que, pela primeira vez, deve ganhar número significativo de cadeiras no Parlamento. Eles vão fazer tudo que estiver a seu alcance para obstruir o novo presidente. E, de fato, Macron terá bastante coisa em jogo. Para encerrar, algo positivo: Emmanuel Macron ganhou com um programa firmemente pró-Europeu. Ele é favor da globalização e da imigração. Ele defende, com honra, todas as coisas que os populistas de direita odeiam e difamam. E funcionou. Isso, por si só, é um feito. A União Europeia precisa ajudar Macron a sobreviver. Ele pode acabar sendo a última chance de um presidente da França no coração da Europa. Ele pode ter o que é necessário para tirar seu país de uma crise permanente. Pode dar a um país antes orgulhoso um pouco de impulso e autoestima. Mas não poderá fazer isso sozinho. Max Hofmann é correspondente da DW em Bruxelas e enviado especial a Paris para as eleições francesas.

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