Líderes da UE celebram "vitória da Europa"

Com um programa abertamente pró-europeu, Macron venceu como o candidato favorito das lideranças do bloco. Em Bruxelas e outras capitais, não se esconde a sensação de alívio por Le Pen ter sido contida.Bruxelas e as principais lideranças europeias parabenizaram o presidente eleito da França, Emmanuel Macron, após a vitória no segundo turno das eleições francesas. Neste domingo (07/05), o centrista obteve mais de 66% dos votos, derrotando, para o alívio de muitos, a populista de direita e eurocética Marine Le Pen. Com um programa abertamente pró-europeu, Macron venceu como o candidato favorito das lideranças da UE. Sua vitória trouxe claramente alívio para o bloco, que ainda tenta se adaptar à saída do Reino Unido e viu nos últimos anos populistas capitalizarem a desconfiança com o atual modelo de mercado comum. O porta-voz da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, foi um dos primeiros a celebrar a vitória. Segundo ele, a chefe de governo ligou ainda no domingo para o presidente eleito, saudando seu comprometimento com uma "Europa aberta e unida". A chanceler, segundo a mensagem, aguarda com expectativa a oportunidade de colaborar com o novo presidente francês "dentro da tradicional amizade franco-alemã". Segundo ressaltou o governo alemão nesta segunda-feira, Berlim não poupará nenhum esforço para ajudar a França a implementar as reformas necessárias e fortalecer seu papel dentro da União Europeia. Para Macron, a permanência da França na moeda comum europeia é indiscutível. Mas ele defende mudanças que podem causar desconforto em Berlim e Bruxelas: um orçamento próprio para a zona do euro, inclusive ministro das Finanças e controles parlamentares. Isso inclui também mudança nas regras fiscais – ou seja, quanto de dívida um país pode fazer. Os detalhes não são claros. Essa reestruturação só seria viável com uma alteração dos tratados da UE. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, através do Twitter afirmou estar "feliz que a França tenha optado por um futuro europeu". Donald Tusk, líder do Conselho Europeu, afirmou que os franceses se mantiveram fiéis aos ideais de "igualdade, liberdade e fraternidade" e "disseram não à tirania das notícias falsas". O presidente da Itália, Paolo Gentiloni, deu vivas à Macron, afirmando que com sua vitória "ascende uma esperança pela Europa". Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, dusse que a vitória de Macron foi "uma inspiração para França e para a Europa", dizendo estar certo de que vai trabalhar em conjunto com o novo presidente francês. O presidente polonês, Andrzej Duda, cujo governo foi alvo de fortes críticas de Macron, disse que "Polônia e França estão unidos por laços de séculos de cooperação e amizade". "Estou convencido de que, a partir de agora, poderemos continuar essa tradição", completou. Durante a campanha, Macron acusou o governo conservador de Varsóvia de apoiar Le Pen. May: "Um dos maiores aliados" O gabinete da premiê britânica, Theresa May, disse que a primeira-ministra parabeniza o presidente eleito Macron pelo seu êxito nas eleições. "A França é um dos nossos principais aliados e estamos ansiosos para trabalhar com o novo presidente em uma ampla variedade de prioridades comuns", afirmou. O presidente russo, Vladimir Putin, enviou um telegrama Macron afirmando que a Rússia está pronta para trabalhar construtivamente com o novo governo francês em temas bilaterais e globais. "O aumento das ameaças do terrorismo e do extremismo está acompanhado de um agravamento nos conflitos locais e a desestabilização de regiões inteiras", afirmava o texto da mensagem. "Nessas condições, é especialmente importante superar desconfianças mútuas e unir esforços para assegurar a estabilidade e a segurança internacional", disse Putin. "Parabéns a Emmanuel Macron por sua grande vitória como o próximo presidente da França. Estou muito ansioso para trabalhar com ele", afirmou através do Twitter o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente da China, Xi Jinping, disse que seu país está "pronto para levar a parceria estratégica sino-francesa a um nível mais alto". Os dois países, segundo afirmou, compartilham a "responsabilidade em relação à paz e ao desenvolvimento no mundo". RC/ap/rtr/afp

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