Coreia do Sul elege liberal como novo presidente

Vitória de Moon Jae-in, dada como certa por pesquisas, encerra quase uma década de governo conservador em Seul e deve levar a uma abordagem mais conciliatória em relação à Coreia do Norte.Os sul-coreanos elegeram com folga nesta terça-feira (09/05), segundo a boca de urna, o progressista Moon Jae-in como novo presidente. Já esperada, sua vitória termina com quase uma década de governo conservador em Seul e deve levar a uma abordagem mais conciliatória em relação à Coreia do Norte, um dos temas centrais da campanha. A eleição foi realizada de forma antecipada depois que a presidente Park Geun-hye foi deposta do cargo, em março passado, e indiciada por corrupção. A maior participação do eleitorado em duas décadas – 77,2% – rendeu 41,1% dos votos a Moon, um progressista que fez carreira como advogado especializado na defesa dos direitos humanos. O conservador Hong Joon-pyo, do Partido da Liberdade (da ex-presidente Park Geun-hye) e que chamou Moon de um "esquerdista pró-Pyongyang", ficou com 23,3% dos votos, seguido do centrista Ahn Cheol-soo, do Partido Popular, com 21,8%. A eleição presidencial na Coreia do Sul não prevê segundo turno, e o mandato é de cinco anos. Mais diplomacia com Pyongyang Moon deve adotar uma abordagem mais diplomática em relação à Coreia do Norte, em contraste com a ex-presidente, que conduziu uma política agressiva durante seu mandato. Num dos debates presidenciais, Moon disse acreditar que a diplomacia é o melhor caminho para convencer os norte-coreanos a desistir do seu programa nuclear. Observadores afirmam que as declarações dele lembram a chamada "Política do Brilho do Sol", que entre 1998 e 2008, sob um governo de esquerda, buscou uma aproximação com os norte-coreanos, em contraste com a abordagem linha-dura adotada por diferentes governos sul-coreanos nos últimos oito anos e também com a política internacional de isolamento e pressão sobre o pequeno país asiático. Naquela época, as Coreias criaram a zona econômica especial comum de Kaesong, o sul apoiou generosamente projetos de ajuda no norte, e conversações bilaterais eram conduzidas sem exigências prévias. Desta vez, Moon fala em três projetos centrais: uma cúpula coreana com Kim Jong-un, a reabertura de Kaesong e a criação de uma área turística no Monte Kumgang, no norte. Estes dois projetos podem trazer milhões de dólares por ano aos norte-coreanos. Na semana passada, em entrevista ao jornal Washington Post, Moon também criticou o envio do sistema de mísseis americano, afirmando que a instalação das armas não era desejável e que a decisão não foi democrática. O sistema é altamente controverso na Coreia do Sul. Moon também disse que a diplomacia sul-coreana deve desempenhar um papel mais importante na relação com a Coreia do Norte, em vez de deixar todos os debates com a China e os EUA. "Na opinião dele, Seul deve seguir uma política autônoma para a Coreia do Norte e ocupar uma posição de liderança para levar a paz e a estabilidade à Península Coreana", afirma o cientista político Steven Denney, da Universidade de Toronto. "Isso pode gerar atritos com Washington", acrescenta. Esta semana, o secretário de Estado Rex Tillerson pediu à comunidade internacional que encerre relações diplomáticas e comerciais com a Coreia do Norte. Superar escândalo e impeachment A eleição sul-coreana não deve ter apenas impacto internacional. No âmbito doméstico, espera-se que a eleição ajude a superar as divisões deixadas pelo impeachment de Park. Filha de um antigo ditador sul-coreano e primeira mulher a ser eleita presidente no país, Park se viu envolvida em 2016 num escândalo de corrupção que levou milhões de sul-coreanos a protestar nas ruas. Ela foi suspensa do cargo em dezembro, após uma votação na Assembleia Nacional. Em março deste ano, a Suprema Corte do país confirmou o afastamento definitivo. Park acabou sendo presa em 30 de março. Desde o início do processo de impeachment, o governo vinha sendo administrado pelo primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn. PV/efe/lusa/afp/rtr/dw

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