Jornalista alemã é detida na Turquia

Imprensa alemã informa que Mesale Tolu foi presa em seu apartamento em Istambul na madrugada de 1º de maio. Acusada de propaganda terrorista, ela escreve para veículos considerados socialistas ou pró-curdos por Ancara.A jornalista alemã Mesale Tolu foi detida durante uma operação policial em seu apartamento em Istambul, na Turquia, na madrugada do dia 1º de maio, confirmaram nesta quinta-feira (11/05) diversos veículos da imprensa alemã, bem como o jornal turco Diken. Tolu teria sido detida sob alegações de realizar "propaganda terrorista" e de "fazer parte de uma organização terrorista" – muitos dos cerca de 150 jornalistas presos na Turquia no âmbito do estado de emergência, introduzido após a tentativa de golpe em 2016, enfrentam acusações semelhantes. O jornal alemão TAZ, por outro lado, menciona fontes turcas que dizem que a prisão de Tolu fez parte de uma operação policial destinada a reprimir, em particular, os movimentos socialistas. A jornalista teve trabalhos publicados em organizações consideradas socialistas ou pró-curdas, como as agências de notícias ETHA e ANF, essa última com sede na Holanda e vista pelo governo turco como associada ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista por Ancara. Ela também trabalhou para a rádio Özgür Radyo (Rádio Livre), fechada pelo governo recentemente. Tolu, de 33 anos, tem ascendência turca e nasceu na cidade de Ulm, no sul da Alemanha, segundo a imprensa do país. Ela se tornou cidadã alemã apenas em 2007, abrindo mão de sua cidadania turca. A jornalista vivia em Istambul desde 2014 com seu marido, Suat Corlu, e o filho de 2 anos. Assim como a esposa, Corlu, de nacionalidade turca e também jornalista, está detido e enfrenta acusações semelhantes envolvendo ligação com terrorismo. O filho do casal, que dormia no apartamento no momento em que a mãe fora detida, está agora sob cuidados de familiares. Como cidadã alemã, Tolu receberá assessoria jurídica oferecida pela embaixada da Alemanha. O Ministério do Exterior alemão, no entanto, ainda não informou se já conseguiu fazer contato com a jornalista detida, que se encontra na prisão feminina de Istambul há cinco dias. Os advogados de Tolu disseram ao diário socialista alemão Neues Deutschland que não há novas informações sobre o caso da jornalista, já que o processo estaria correndo sob sigilo. Segundo o jornal TAZ, um de seus advogados, Gülhan Kaya, afirmou que uma das evidências usadas contra Tolu teria sido sua presença no funeral de dois extremistas de esquerda que faziam parte do Partido Comunista Marxista-Leninista da Turquia (MLKP), mortos pela polícia em 2015. Deniz Yücel O caso de Tolu lembra o do teuto-turco Deniz Yücel, correspondente do jornal alemão Die Welt. Detido em Istambul em fevereiro, ele é também acusado de fazer propaganda terrorista. Yücel foi o primeiro jornalista alemão a ser preso desde que o partido conservador islâmico AKP chegou ao poder, em 2002. Seu amplamente divulgado caso se difere do de Tolu, uma vez que ele detém tanto a cidadania turca como a alemã, enquanto ela é cidadã apenas da Alemanha. Nesta mesma quinta-feira, o ministro turco de Assuntos Europeus, Ömer Celik, afirmou que "a Turquia é um país seguro para jornalistas estrangeiros" que não se envolvem em atividades terroristas. Depois do golpe de Estado fracassado, em julho do ano passado, dezenas de jornais, rádios e emissoras já foram fechadas e centenas de jornalistas tiveram seus registros cancelados na Turquia, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras. EK/dw/dpa/ots

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