Ciberataque de proporção global atinge empresas e hospitais

Sistemas de hospitais públicos do Reino Unido são invadidos por vírus que exige dinheiro em troca da liberação de computadores bloqueados. Empresas em Portugal e na Espanha também relatam ataques da mesma praga digital.Um ciberataque de grandes dimensões atingiu nesta sexta-feira (12/05) instituições e empresas em vários países da Europa e da Ásia, incluindo Reino Unido, Espanha, Portugal, Turquia, Ucrânia e Rússia. A empresa russa de segurança cibernética Kaspersky estimou em mais de 45 mil o número de ataques cometidos por hackers, que usaram um vírus do tipo ransomware, afetando 74 países. O vírus em questão é uma variante de versões anteriores do WannaCry, que ataca especialmente o sistema operacional Windows, aproveitando uma vulnerabilidade. Após infectar e criptografar os arquivos, ele pede um valor em bitcoins para liberar os dados que foram "sequestrados". Em geral, o ataque não compromete a segurança dos dados nem gera o vazamento deles. Diversos hospitais públicos britânicos foram alvos de ciberataques, afirmou o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) no Reino Unido. Os sistemas de informação das instituições foram simultaneamente atingidos, de acordo com a imprensa local. Dados como registros de pacientes e horários de consultas, além de linhas telefônicas internas e e-mails, ficaram inacessíveis. Segundo o jornal britânico The Guardian, funcionários perderam acesso aos seus computadores, e uma quantia de 300 dólares era exigida em troca da liberação de cada equipamento afetado. Já o New York Times afirmou que o vírus explora uma vulnerabilidade descoberta e desenvolvida pela Agência de Segurança Nacional (NSA) e tornada pública pelo grupo autointitulado Shadow Brokers. "Organizações do NHS reportaram terem sido afetadas por um ataque ransomware", afirmou o NHS Digital, órgão responsável pela área de tecnologia do Departamento de Saúde britânico. O órgão afirmou ainda que dados e informações sobre pacientes parecem não ter sido atingidos e adiantou que o ataque não foi direcionado contra o sistema público de saúde, mas afetou também outros setores. "Nosso foco é ajudar as organizações a gerenciar o incidente de forma rápida e decisiva, mas continuaremos mantendo contato com os colegas do NHS e compartilharemos mais informações assim que elas estiverem disponíveis", acrescentou o NHS Digital. O NHS não divulgou a lista completa dos hospitais afetados, mas, segundo a imprensa britânica, ela inclui várias instituições no oeste da Inglaterra e na região metropolitana de Londres. De acordo com a BBC, pelo menos 25 hospitais do NHS foram alvos do ataque, além de algumas clínicas. A Agência Nacional contra o Crime (NCA, na sigla em inglês), versão britânica do FBI, informou que já está investigando a invasão. Segundo a polícia britânica, o caso está sendo tratado como um crime grave, apesar de, aparentemente, não apresentar riscos para a segurança nacional. Espanha e Portugal O ataque, no entanto, não atingiu apenas o Reino Unido. A empresa britânica Claranet, que fornece serviços de tecnologia a companhias, alertou para um ciberataque em escala internacional. "Alertamos para o fato de estar em curso um ciberataque de grandes dimensões, dirigido principalmente contra empresas de comunicações, mas também com outros alvos em vista", afirma um comunicado enviado pela empresa a clientes, ao qual a agência de notícias Lusa teve acesso. Em Portugal, o conglomerado Portugal Telecom comunicou seus clientes sobre um vírus digital perigoso e pediu para que tenham cautela ao navegarem na internet e abrirem anexos recebidos por e-mail. Já a empresa Energias de Portugal (EDP) decidiu cortar o acesso à internet de sua rede para prevenir o ciberataque. O governo espanhol, por sua vez, emitiu um aviso sobre ataques também ligados ao chamado ransomware e afirmou que várias empresas foram atacadas. Segundo agências de notícias internacionais, uma delas é a Telefônica. A empresa de telecomunicações foi obrigada a desligar os computadores da sua sede em Madri depois de detectar uma praga digital que também bloqueou alguns de seus equipamentos. Outras são a Iberdrola, a Vodafone e a Indra. EK/afp/ap/efe/lusa/rtr/ots

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