Trump ameaça Comey se houver "vazamentos" para a imprensa

Presidente americano sugere ter gravações de diálogos dele com ex-chefe do FBI, demitido há poucos dias. Em entrevista, Trump afirma que o afastaria de qualquer maneira.Em tom de ameaça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta sexta-feira (12/05) o ex-chefe do FBI James Comey, demitido do cargo nesta terça, a não "vazar" informações para a imprensa, sugerindo que pode ter gravado conversas entre os dois. "É melhor James Comey torcer para que não haja 'fitas' das nossas conversas antes de começar a vazar detalhes para a imprensa!", escreveu o presidente americano no Twitter, em meio a uma série de tuítes publicados pela manhã em torno do assunto. Não ficou claro se essas gravações de fato existem ou se se trata apenas de uma tentativa de intimidação. Até o momento, Comey não se manifestou publicamente sobre conversas com o presidente. Este, porém, afirmou que, em três oportunidades (uma pessoal e duas por telefone), o ex-diretor do FBI lhe assegurou que não estava sendo investigado no inquérito sobre as relações entre a campanha republicana e a Rússia, acusada de interferir na eleição americana. O presidente também ameaçou cancelar as entrevistas coletivas dos seus assessores para a imprensa depois de vários jornais apontarem contradições entre as declarações dele e dos assessores para explicar a demissão de Comey. "Talvez o melhor seja cancelar todas as futuras entrevistas coletivas e distribuir respostas escritas em prol da exatidão?", questionou Trump. Ele afirmou que não se pode esperar informações exatas de seus assessores porque "há muita coisa acontecendo". Trump aumentou ainda mais a confusão sobre as razões para a demissão de Comey ao assegurar, em uma entrevista à emissora NBC, nesta quinta-feira, que o demitiria de qualquer maneira, apesar de, logo depois da demissão, na terça-feira, e nos dias posteriores, seus porta-vozes afirmarem que tudo ocorreu depois das recomendações do procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein. A Casa Branca insistiu que a demissão ocorreu após recomendações de Rosenstein em relação à maneira como Comey gerenciou a investigação sobre o uso dos e-mails de Hillary Clinton, rival democrata na eleição presidencial vencida por Trump, quando esta era secretária de Estado. Na entrevista à NBC, porém, Trump indicou que estava pensando "nessa história da Rússia" quando demitiu Comey. Nesta sexta-feira, o jornal The New York Times noticiou que Trump, quando assumiu o cargo, em janeiro, cobrou lealdade de Comey, mas este teria oferecido honestidade. O diálogo teria acontecido durante um jantar privado, uma semana depois da posse de Trump, ocorrida no dia 20 de janeiro, segundo relatou Comey a alguns de seus colegas, que, após sua demissão, na última terça-feira, falaram sob condição de anonimato ao jornal nova-iorquino. Em um ponto da conversa, depois que Trump celebrou sua vitória nas eleições, ele pediu para Comey "jurar lealdade". Este rejeitou o pedido e, em seu lugar, prometeu que sempre seria honesto com ele, mas insistiu em que não seria confiável no sentido político. De acordo com a versão do ex-diretor do FBI, insatisfeito com a resposta, Trump pediu mais duas vezes para que ele fizesse o juramento, mas Comey não cedeu. Comey disse acreditar que o jantar foi "um prenúncio de sua queda", segundo o New York Times. IP/dpa/afp/efe/ap/rtr

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