Com aceno à direita, Macron nomeia premiê

Desconhecido do eleitorado francês, conservador Edouard Philippe é escolhido para liderar o recém-empossado governo. Decisão sugere que presidente tenta formar base para construir maioria parlamentar.O prefeito de Le Havre, o conservador Edouard Philippe, de 46 anos, foi escolhido pelo presidente Emannuel Macron para o cargo de primeiro-ministro da França, anunciou nesta segunda-feira (15/05) o Palácio do Eliseu, em Paris. O anúncio foi feito pouco antes da viagem de Macron para Berlim, onde ele se reúne com a chanceler federal Angela Merkel. Macron assumiu a presidência da França no domingo, e é tradição entre os líderes franceses que a primeira visita internacional seja à Alemanha. Deputado pelo departamento Sena-Marítimo, na região da Normandia, Philippe é um político largamente desconhecido do eleitorado francês. A indicação do político conservador, membro do partido Os Republicanos, sinaliza que o centro-liberal Macron está tentado construir uma maioria parlamentar ao se aproximar da direita. A escolha está em linha com a imagem de renovação política transmitida por Macron e também com a ideia, defendida pelo novo presidente durante sua campanha eleitoral, de que a tradicional divisão entre direita e esquerda é um conceito ultrapassado. A indicação pode atrair mais representantes de Os Republicanos para Macron, que tem feito acenos tanto para a ala mais à direita do Partido Socialista como para a ala mais à esquerda dos conservadores. O movimento de Macron já atraiu dezenas de deputados socialistas para o seu lado. O futuro de Philippe como primeiro-ministro dependerá, porém, do resultado da eleição legislativa de junho, já que o premiê necessita do aval do Parlamento. O programa de governo de Macron prevê reformas para impulsionar a economia francesa, e a aprovação delas depende de apoio parlamentar. Trajetórias parecidas O prefeito da cidade portuária de Le Havre é um representante da ala moderada de Os Republicanos, principal partido de centro-direita da França e que foi derrotado na última eleição presidencial. Philippe é um aliado do ex-primeiro-ministro Alain Juppé, que lidera a ala moderada e já sinalizou apoio a Macron. Logo após o anúncio do Palácio do Eliseu, Juppé afirmou que o novo primeiro-ministro é "um homem de grande talento", com todas as "qualidades para exercer esse cargo difícil". Philippe foi porta-voz da campanha de Juppé durante as primárias da centro-direita. Com a derrota de Juppé, passou a apoiar o candidato escolhido pelos eleitores, François Fillon, mas deixou a campanha deste quando promotores iniciaram uma investigação das denúncias de que a mulher e filhos de Fillon teriam ocupado empregos fictícios. O novo premiê guarda muitas similaridades com Macron: além de serem rostos novos na política, ambos são jovens, formados pelas universidades da elite francesas, trabalharam no setor privado antes de optar pela carreira na política e desprezam a tradicional divisão entre esquerda e direita na política francesa. Prefeito de Le Havre desde 2010, Philippe foi eleito também para o Parlamento em 2012. Na iniciativa privada foi lobista da empresa nuclear estatal Areva de 2007 a 2010. De 2004 a 2007, trabalhou para a empresa de advocacia Debevoise and Plimpton LLP, baseada em Nova York. Assim como Macron, Philippe é oriundo da tradicional Escola Nacional de Administração (ENA), que forma a elite política e econômica da França. Ele já trocou de lado na política, pois começou sua carreira no Partido Socialista, tendo feito campanha para o ex-premiê Michel Rocard na sua juventude. O novo premiê aponta Rocard como uma de suas grandes influências. Philippe cultiva uma imagem esportiva e ao mesmo tempo intelectual. Ele fala alemão, tem um pronunciado interesse pelo ex-premiê britânico Winston Churchill e, nas horas vagas, escreve histórias policiais. Críticos o consideram uma pessoa distante e até mesmo arrogante. O jornalista Gael Tchakaloff descreveu o pai de três filhos como uma pessoa dotada de "arrogância, excesso de autoconfiança e ambições além de qualquer medida". Uma pessoa que trabalhou com ele no partido Os Republicanos o descreveu como inteligente, mas com uma tendência a ser brusco com colegas. Outro colega o definiu como uma pessoa difícil de se aproximar, apesar de ter muitas qualidades. AS/dpa/rtr/ap/afp

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