Jornalista que escrevia sobre narcotráfico é assassinado no México

Premiado por reportagens corajosas, Javier Valdez Cárdenas é alvejado à luz do dia na capital do estado de Sinaloa. Desde março, seis jornalistas foram assassinados no país.O jornalista mexicano Javier Valdez Cárdenas foi assassinado a tiros nesta segunda-feira (15/05) em Culiacán, capital do estado de Sinaloa, no noroeste do México. Ele dirigia seu carro quando foi interceptado e alvejado, à luz do dia. O atentado ocorreu nas proximidades da sede do semanário para o qual ele trabalhava. Valdez, fundador do semanário Ríodoce e correspondente do jornal nacional La Jornada, foi premiado em várias ocasiões por suas reportagens corajosas sobre o narcotráfico e o crime organizado. Este é o sexto assassinato de um jornalista no México desde o início de março, um número elevado até mesmo para os padrões mexicanos. O México é um dos lugares mais perigosos para jornalistas por causa dos cartéis da droga, e a maioria dos ataques à imprensa permanece impune. Horas antes fora morto, também num atentado, o repórter de um semanário do estado de Jalisco, Jonathan Rodríguez, de 26 anos. Ele trabalhava no meio de comunicação que era propriedade de seu pai. A mãe dele, Sonia Córdova, subdiretora do jornal, ficou ferida no ataque e está em estado grave. Ambos circulavam de carro numa avenida movimentada da cidade de Autlán quando foram alvejados por pessoas armadas. Numa entrevista à agência de notícias Efe, em outubro, Valdez se definiu como un caçador de histórias em "meio às ruínas" e defensor dos jornalistas "que estão partindo" de um país onde "o delinquente manda" e "o ar que respiramos não nos pertence". Ele falou sobre a cumplicidade dos políticos com o narcotráfico, assegurou que não há liberdade de imprensa no México porque o crime organizado e os governos corruptos impõem o silêncio à bala ou com dinheiro e denunciou que "o jornalismo valente, digno, responsável, honesto" não tem o apoio da sociedade. Segundo ele, o jornalista "está sozinho e isso fala também sobre a nossa fragilidade, porque significa que, se vêm contra nós, não vai acontecer nada. Não há um sentimento de solidariedade quando um jornalista é assassinado, agredido, ameaçado", lamentou. AS/lusa/efe/rtr/ap

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