Brasília aguarda divulgação de gravação

Malu Delgado

Crescem as cobranças da classe política, de integrantes do Judiciário e da população para que seja revelado o áudio da conversa entre Temer e o executivo da JBS. Conteúdo pode confirmar fim do governo.Crescem as cobranças na classe política, de integrantes do Judiciário e da população para que seja revelado o conteúdo do áudio de conversa entre o presidente da República, Michel Temer, e o executivo Joesley Barbosa, presidente do Conselho de Administração do Grupo JBS. Há uma avaliação nesses meios de que, se o conteúdo do áudio for exatamente o que revelou o jornal O Globo, Temer perde as condições de se manter no governo e será obrigado a renunciar ou responderá a um processo de impeachment. A Ordem dos Advogados do Brasil vai protocolar no Supremo Tribunal Federal um pedido para que a corte autorize o fim do sigilo dos áudios, que constariam em delação premiada dos executivos da JBS. "Se as gravações forem confirmadas, Temer perde condições de seguir à frente do Palácio do Planalto", declarou na manhã desta quinta-feira o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia. O magistrado pedirá uma reunião de emergência com o ministro do STF, Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato na corte. O áudio teria sido gravado em março, numa conversa no Palácio do Jaburu e revelaria o consentimento de Temer para que a JBS pagasse ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha para manter seu silêncio. Cunha foi preso em outubro do ano passado como consequência das investigações da Operação Lava Jato. Ele já foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-parlamentar, ligado a Temer, chegou a fazer ameaças políticas sobre o suposto envolvimento do presidente e havia um temor generalizado de políticos brasileiros sobre a eventual consequência de uma delação de Cunha. Até o momento, a única manifestação do governo foi do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em vídeo publicado nas redes sociais. Padilha é citado na Lava Jato. Na gravação, ele cita uma melhora recente do cenário econômico e afirma que o Brasil caminhava "numa corrente altamente positiva em favor do governo, em favor do Brasil, em favor dos brasileiros". Padilha defende as investigações e sinaliza: "Temos que ver o que efetivamente foi dito". Temer negou a amigos e assessores, ontem, que o conteúdo do áudio possa lhe comprometer. Na manhã de hoje, o presidente cancelou toda a agenda. Constam apenas "despachos internos".

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