Visita à Arábia Saudita marca estreia de Trump no exterior

Alexandra vom Nahmen (md)

Em primeira viagem como presidente para fora dos EUA, bilionário quer unir muçulmanos contra o radicalismo islâmico e reatar laços com sauditas, abalados durante governo Obama. Venda de armamentos também está nos planos.Seus conselheiros já estão falando de uma "viagem histórica". Donald Trump é o primeiro presidente dos Estados Unidos desde Jimmy Carter que não visita Canadá ou México em sua primeira viagem ao exterior. Em vez disso, escolheu a Arábia Saudita – longe dos problemas domésticos, que se agravam cada vez mais. "Isso é curioso", avalia Elliott Abrams, do influente think thank americano Council on Foreign Relations. "Durante a campanha, Trump disse que os EUA deveriam se retirar de todos os conflitos no Oriente Médio. E agora, sua primeira viagem ao exterior o leva exatamente ao Oriente Médio." Discurso contra islã radical O presidente viaja à região nesta sexta-feira (19/05) para "unir o mundo muçulmano contra os inimigos comuns", diz a Casa Branca. A partir de sábado, ele se reunirá com o rei Salman bin Abdulaziz, da Arábia Saudita, e outros membros da família real e participará de uma reunião dos Estados do Golfo. Também está planejado um discurso contrário ao islã radical diante de chefes de Estado de cerca de 50 países árabes e muçulmanos. Eles foram especialmente convidados a Riad para se reunir com o presidente americano. O próprio Trump se mostra, como sempre, bastante confiante. "Na Arábia Saudita, vou falar com os líderes muçulmanos e exortá-los a lutar contra o ódio e o extremismo e a pavimentar o caminho para um futuro de paz de sua religião", anunciou, acrescentando que em Riad as pessoas certamente já esperam ansiosas para ouvir sua mensagem. Entusiasmo no Golfo Na verdade, os governantes do Golfo Pérsico se mostraram entusiasmados com a gestão Trump – apesar de suas declarações antimuçulmanas durante a campanha eleitoral e de suas tentativas de proibir a entrada de cidadãos de sete países predominantemente muçulmanos. "Com Trump, vamos ver um retorno a uma política externa mais tradicional dos Estados Unidos no Oriente Médio, em contraste com a política de Barack Obama", opina Nile Gardiner, do think tank conservador americano Heritage Foundation, instituição que assessora o governo dos Estados Unidos em questões de política externa e doméstica. "Obama negligenciou importantes aliados dos EUA na região", critica Gardiner. "Com sua política para o Irã, ele causou danos permanentes, especialmente nas relações com os sauditas", acrescenta. O antecessor de Trump criticou repetidamente o governo saudita por sua promoção do islã fundamentalista e por causa de numerosas violações dos direitos humanos. "O objetivo da viagem é renovar a parceria entre os EUA e a Arábia Saudita e assegurar aos sauditas que os EUA estão determinados a combater de forma agressiva a influência desestabilizadora do Irã na região", afirma Gardiner. Ele ressalta que os sauditas estão ansiosos para cooperar com os americanos e que precisam agora mais fortemente dos EUA como garantia da segurança na região do que os EUA precisam da Arábia Saudita. Direitos humanos em segundo plano "As relações de Trump com a Arábia Saudita vão ser mais descontraídas do que sob Obama. Mas isso não é necessariamente bom para a política externa dos EUA", critica Emma Ashford do think tank Cato Institute. "A administração Obama achou importante se empenhar pela defesa dos direitos humanos e das mulheres e da sociedade civil. Já Trump deixa claro que esta não é uma prioridade para ele", acrescenta. Em seu discurso em Riad, o presidente dos EUA não vai se dirigir ao povo do mundo árabe, mas exclusivamente a seus líderes – ao contrário de seu antecessor em 2009, no Cairo. Ashford ressalta que questões controversas, como violações dos direitos humanos deverão ser tratadas, quando muito, só atrás de portas fechadas. "Essa parece ser a base da política externa de Trump", ressalta. O presidente dos EUA também leva na bagagem uma mensagem para seus simpatizantes – ele, que gosta de se apresentar como o fazedor de negócios. Espera-se que, durante sua visita a Riad, ele feche contratos de venda de armamentos no valor de 100 bilhões de dólares com a Arábia Saudita. Um dos conselheiros do presidente afirma que a viagem mostra que a política "America First" de Trump é compatível com a liderança americana no mundo. Depois de Riad, Trump segue para Jerusalém, Belém, Roma, Bruxelas e Sicília, na Itália, encerrando a viagem de oito dias em 27 de maio.

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